No oeste da Bahia, início da colheita reanima economia

Agronegócio

No oeste da Bahia, início da colheita reanima economia

Com preços elevados e expectativa de crescimento vigoroso na colheita de soja e algodão, a economia do oeste baiano volta a florescer
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Com preços elevados e expectativa de crescimento vigoroso na colheita de soja e algodão, a economia do oeste baiano volta a florescer. Enquanto produtores investem em máquinas e em usinas de beneficiamento, comerciantes esperam pelo aquecimento das vendas a partir deste mês, e ainda que a disseminação de um fungo nas lavouras ameace o rendimento de algumas lavouras, enxergam um cenário promissor pela frente.

"Mal nos livramos da ferrugem asiática [fungo que ataca plantações de soja] e vem o mofo branco", reclama Luis Berlato, da Fazenda Carvalho. Ele conta que desde a safra 2001/02 a atenção dos fazendeiros esteve concentrada na ferrugem, que teve no ciclo atual, com chuvas regulares e elevada umidade, ambiente propício para a proliferação. A tendência foi evitada, mas o mofo branco, extremamente resistente (pode viver até 11 anos), não deu trégua, e novamente a cultura "preferida" foi a soja.

Por enquanto, a expectativa da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) é de um incremento de 10% na produção do grão na região. Para o algodão, a estimativa é de avanço de 6%. "Só vamos saber se houve prejuízo e o tamanho dele quando acabarmos a colheita", explica Berlato. No caso do milho, primeiro produto colhido, as perdas já apareceram. Mesmo com uma área plantada 11,5% maior em 2007/08 do que em 2006/07, a previsão é que a colheita de milho some 1,11 milhão de toneladas, uma queda de 8% na comparação com a temporada anterior.

Sergio Pitt, vice-presidente da Aiba, conta que, como as chuvas demoraram a cair no ano passado, o plantio da safra atual foi adiado em um mês. Ao invés de acontecer de 15 a 20 de outubro, o plantio, que precisa ser feito com a terra úmida pela chuva, ocorreu em 22 de novembro. "Se tivesse chovido a partir do dia 10, a colheita teria sido 20% maior".

Os comerciantes, porém, pouco se preocupam com as chuvas ou com o mofo branco. O que eles sabem é que a área plantada aumentou e, portanto, tende a exigir mais mão-de-obra na colheita. Artur Gasparino Neto, dono da loja de roupas Oeste Modas, espera que as vendas aumentem 20% a partir deste mês. "É quando chegam os temporários que fazem o trabalho braçal nas fazendas e acabam comprando mais na cidade", comenta Neto, cuja loja fica em Luís Eduardo Magalhães, município que tem 50 mil habitantes, e é vizinho de Barreiras, o maior da região, com 120 mil pessoas.

O aumento da área plantada de algodão, que foi de 8% no ano passado, levou empresas do setor a investirem em usinas de beneficiamento. O Grupo Horita está investindo R$ 10 milhões na construção de sua segunda usina, que deverá ficar pronta em julho. O Multigrain segue a mesma linha, e investirá também R$ 10 milhões em uma unidade que será concluída em julho, com capacidade para 90 fardos de algodão por hora. Já a SLC Agrícola promete inaugurar no segundo semestre mais uma planta.

"A que tenho hoje está no limite", afirma Walter Horita, um dos três sócios do grupo que leva seu sobrenome. No ano passado, Horita, que também é presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), beneficiou o algodão colhido até novembro. "O ideal é que isso seja feito até outubro. Depois começa a chover e pode ser um risco estocar o algodão. Mas como minha capacidade não permitia maior velocidade, foi assim". Com a nova usina, ele planeja reduzir o tempo de beneficiamento. O empresário também acaba de comprar, por US$ 330 mil, uma colheitadeira para a lavoura de algodão.

Horita, que também planta soja, acredita que em breve os preços do produto deverão acompanhar os da soja. "A soja não vai ficar tanto tempo com preços tão altos. Em breve voltaremos a um equilíbrio", aposta.

Berlato, da Fazenda Carvalho, está mais otimista em relação aos preços recordes da soja, mas alerta que o mofo branco evitará que muitos produtores possam aproveitá-los. "Qualquer perda será muito prejudicial". Ele estima que já tenha fechado cerca de 70% da venda de sua produção, com preços próximos de US$ 12 a saca. Com os demais 30%, pode ter mais lucro, caso os preços continuem em ascensão.

"Como temos parte da produção a ser negociada, poderemos reverter eventuais perdas na colheita", diz Horita. Ele enfatiza que, se não fosse a forte alta da cotação da soja no mercado internacional, os produtores estariam no prejuízo. "Com o dólar derretendo deste jeito, sem as elevações de preço estaríamos em maus lençóis", constata.

Mesmo sem saber nada sobre o mercado de commodities agrícolas, José Pereira da Silva torce todo ano por uma boa safra no oeste da Bahia. Dono de uma pequena banca que vende balas, pedaços de bolo, coxinhas e refrigerantes, ele espera lucrar mais a partir de agora. "De abril a setembro é quando mais vendo". Silva vive em Luís Eduardo Magalhães há cerca de dez anos. Com ar de satisfação, diz que não tem nada do que reclamar da cidade. "Tenho esposa e dez filhos, todos empregados".

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