Agronegócio

Norte de Minas pode ser pólo de gado de corte do Estado

Os frigoríficos já anunciaram que 2007 será o ano de atender o mercado exportador com mais abates
Por: -Valéria Esteves
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Nem mesmo as exigências da União Européia intimidaram o setor de carne, que sofreu perdas significativas assolados pelos focos da febre aftosa. Mas especialistas dizem que os frigoríficos estão se especializando para mandar o produto seguindo normas fitossanitárias a risca para garantir o primeiro lugar no ranking de maior exportador de carne do mundo.

Segundo informação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec), as exportações brasileiras de carne ultrapassaram as exportações da Austrália em volume financeiro, no acumulado de janeiro a novembro de 2006.

Essa diferença de comportamento de mercado partiu de planejamentos estratégicos dos frigoríficos, conforme detalha Marcos Miguel Mendes, responsável técnico do escritório regional da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). No caso específico do estado de Minas Gerais, os frigoríficos já anunciaram que 2007 será o ano de atender o mercado exportador com mais abates de animais.

Ele explica que no estado há três frigoríficos que atendem as exportações, sendo dois no Triângulo Mineiro e um no Norte de Minas, que se somam o potencial de Minas no mercado competitivo.

No acumulado de janeiro a novembro as exportações brasileiras bateram os US$ 3,475 bilhões, ante US$ 3,374 bilhões da Austrália, de acordo com pesquisa realizada pela Abiec. Em volume, o Brasil já havia ultrapassado a Austrália, e registrou no período, 2,113 milhões de toneladas, ante as 1,338 milhão de toneladas australianas.

Marcos explica que a crescente melhora nas exportações em Minas, especialmente na região Norte se deve à ampliação na capacidade de produção para exportação dos frigoríficos, sendo que a chegada do frigorífico Independência em Janaúba aqueceu as expectativas do mercado e alimentou a vontade dos pecuaristas de produzir boi gordo de qualidade para abate.

Pode-se dizer que tanto o Triângulo quanto o Norte de Minas respondem pelo produto que é exportado. Nesse caso, o Norte de Minas que também manda animais para serem abatidos nos frigoríficos, responde por 30% do que é comercializado pelas duas plantas de abate do Triângulo, considerando-se a compra de animais nas regionais como Vale do Jequitinhonha, regiões próximas a Belo Horizonte entre outros.

O técnico da ABCZ lembra que o próximo ano será de ganhos ainda mais importantes para o Brasil e, conseqüentemente, para Minas Gerais. Com o interesse dos pecuaristas em plantar em larga escala a cana-de-açúcar para obtenção de etanol, os pastos serão diminuídos no Triângulo e, provavelmente, o Norte de Minas receberá os animais desse pólo produtor de gado de corte.

"A previsão é que o gado seja deslocado do Triângulo para o Norte de Minas e a produção será reduzida, o que torna a região a maior produtora em potencial de gado de corte do estado. Vale lembrar que a crescente melhora nas exportações se deve, também, à organização da cadeia produtiva e o interesse dos frigoríficos em ampliar sua capacidade de produção", analisa.

Performance

Segundo o presidente da Abiec, Marcos Vinicius Pratini de Moraes a boa performance brasileira na receita arrecadada se deve a uma maior diversificação das exportações do Brasil e ao aumento das vendas externas de cortes com maior valor agregado, principalmente de carne resfriada e embalada a vácuo. Incluindo miúdos, o Brasil exportou, de janeiro a novembro de 2006, um volume de 2,2 mil toneladas, alta de 10,74% em relação ao mesmo período de 2005, com uma receita financeira de US$ 3,596 milhões, alta de 27,27%.

A expectativa é de que o Brasil se mantenha acima dos números da Austrália por conta da redução do rebanho australiano em decorrência da seca que está afetando as regiões produtoras, e por conta do retorno de todos os estados brasileiros à exportação com os últimos ajustes que estão sendo feitos para que o Mato Grosso do Sul retorne às vendas externas de carnes. Enquanto o Brasil vai elevar as exportações, a Austrália terá que reduzir, disse.

Conforme a Abiec de janeiro a novembro, o principal importador de carne bovina in natura brasileira foi a Rússia, com 407.144 toneladas e US$ 653,085 milhões, uma queda de 1,86% em quantidade em relação ao mesmo período de 2005, mas alta de 23,12% em valor. O segundo maior importador foi o Egito, com 271.719 t e US$ 339,99 milhões, alta de 41% em volume e 51,91% em receita.

A estimativa divulgada pelo Estadão diz que o ano de 2006 terminará com uma receita perto de US$ 4 bilhões, um crescimento de dez vezes no período de 5 anos. Em 2007 a previsão é que as exportações continuem crescendo menos em volume e mais em valor. O volume físico exportado deverá crescer entre 5% e 10% em 2007, e o volume financeiro entre 10% e 15%.

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