Nova ordem não atinge frigoríficos de Mato Grosso
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Agronegócio

Nova ordem não atinge frigoríficos de Mato Grosso

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Enquanto em outros estados a menor oferta de crédito já começa a dar sinais dos seus efeitos sobre a economia - aumentando a inadimplência de frigoríficos de pequeno e médio portes - em Mato Grosso a crise financeira mundial não se reflete no setor a ponto de causar atrasos no pagamento dos bois adquiridos dos pecuaristas. O problema, de acordo com o Conselho Nacional da Pecuária de Corte (CNPC), está localizado nas regiões de Goiás, Rondônia e Pará e não há relatos de inadimplência por parte de grandes frigoríficos.

Este é o caso de Mato Grosso, onde as grandes plantas como Sadia, Marfrig e Friboi, mantiveram seus volumes de compras e abates nos últimos dias e estão operando com prazos que já vinham sendo adotados antes do início da crise.

“Não temos informações sobre problemas de inadimplência dos frigoríficos em Mato Grosso”, disse ontem o consultor da Área Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Luís Carlos Meister.

O coordenador do Centro de Comercialização de Bovinos do Estado (Centro Boi), órgão vinculado à Famato, Luiz Padilha, também diz que o setor pecuário não vem tendo qualquer prejuízo com os frigoríficos. “As indústrias estão pagando normalmente, não há problemas relevantes na relação compra e venda em Mato Grosso”.

Ele disse que “tivemos apenas problemas de frigoríficos que pararam de abater para se adequar ao nível das exigências impostas pela União Européia. Mas isso nada tem a ver com a crise e a situação está sob controle”.

Padilha garantiu que os preços da arroba do boi estão estáveis em Mato Grosso, com tendência de “melhorar para o produtor a partir de novembro em função do fim dos confinamentos e dos embarques para a União Européia”. Além disso, segundo ele, apesar do início das chuvas os pastos ainda não estão refeitos.

JUROS - Na avaliação do diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR), Paulo Resende, a inadimplência no setor é mínima, não chega a 2%, o que podemos considerar normal. “Acredito que a situação está tranqüila e Mato Grosso tem condições de se sair melhor neste momento do que outras regiões”.

A única mudança após a eclosão da crise mundial, conforme Resende, foi em relação às taxas de juro e os descontos. “Quando a compra é feita em 30 dias, o frigorífico emite uma nota promissória rural, no valor do abate. O problema é na hora de descontar a NPR nos bancos, que passaram a adotar juros maiores”.

Segundo Luciano Vaccari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), os juros, que giravam em torno de 2%, estão agora no patamar de 4%.

FRIGORÍFICOS – Os frigoríficos confirmam que a crise não teve impacto significativo sobre o setor.

“Mantivemos as nossas compras e os pagamentos estão sendo efetuados normalmente. Não houve alteração de mercado”, disse o comprador da Marfrig de Tangará da Serra (242 quilômetros ao norte de Cuiabá), Maurício Fernando de Oliveira Cunha. A Sadia de Várzea Grande e o Friboi também mantiveram seus planos e os pagamentos estão sendo efetuados sem atraso. “O que mudou foi em relação aos juros”, admitiu uma fonte do setor de compras da Sadia. Em Mato Grosso, os frigoríficos pagaram ontem entre R$ 80 a R$ 82 pela arroba do boi nos negócios à vista. A prazo este valores oscilaram entre R$ 84 e R$ 85.


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