Nova pesquisa vai mapear pragas que afetam culturas
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Agronegócio

Nova pesquisa vai mapear pragas que afetam culturas

O objetivo é saber como as plantas vão se comportar em diferentes cenários climáticos
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As alterações ambientais podem significar um "fortificante" para as pragas nas lavouras, tornando-as mais nocivas e destruidoras. Antes que essas mudanças climáticas se instalem, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Embrapa) projetam cenários futuros, procurando antecipar-se ao ambiente que as culturas encontrarão daqui a 20, 50 ou 80 anos.

Dois projetos serão iniciados em janeiro de 2009 dentro da Plataforma de Mudanças Climáticas Globais. Um deles é a "Simulação de cenários agrícolas futuros a partir de projeções de mudanças climáticas regionalizadas" e será coordenado pela Embrapa Informática Agropecuária, de Campinas (SP). O objetivo é saber como as plantas vão se comportar em diferentes cenários climáticos.

O outro projeto paralelo e que deve se estender por quatro anos trata do "Impacto das mudanças climáticas globais sobre doenças, pragas e plantas daninhas", liderado pela Embrapa Meio Ambiente de Jaguariúna, na região de Campinas. O objetivo desse estudo é saber como as pragas e doenças das plantas vão se comportar com as mudanças climáticas.

"São dois projetos irmãos, um procura fortalecer as plantas, outro enfraquecer as pragas", diz a pesquisadora Raquel Ghini, que coordena a pesquisa sobre as doenças das plantas, em Jaguariúna (SP).

O projeto das pragas está estimado em R$ 5 milhões e é compartilhado por 31 instituições, 15 delas unidades da Embrapa. Envolve 130 pesquisadores em todo o país. O investimento ainda é pequeno quando comparado aos prejuízos provocados pelas pragas: só a ferrugem asiática da soja, a que mais causa danos, provoca perdas de US$ 2 bilhões por ano, diz Raquel.

Os estudos feitos até agora já permitem identificar várias pragas e doenças que devem se fortalecer com as mudanças climáticas, como a maior quantidade de chuva, calor e presença de CO. Entre elas está o bicho-mineiro-do cafeeiro. Quanto mais forte o calor, mais aumenta a ocorrência dessa praga. Devem crescer também a ferrugem do cafeeiro e do feijoeiro e os nematóides em cafeeiros.

Para chegar a essas conclusões, a equipe da Embrapa Meio Ambiente vem utilizando mapas e modelos de previsão climáticas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Mapas de 30 anos atrás estão sendo comparados aos atuais e projetados para o cenários futuros. Os modelos de previsão climática do IPCC sinalizam um aumento na temperatura em todo o continente, além de maior número de ocorrência danosas às culturas, como enchentes e secas. Nesse contexto, as perdas são provocadas tanto pelas pragas e doenças, que se fortalecem ou se modificam com o calor, como por interferências sofridas pelo solo e pelas plantas.

Até agora, as simulações e mapas trabalham com variáveis separadas, como temperatura, chuvas, umidade e presença de CO.

Segundo Raquel, a intenção dos projetos é orientar políticas públicas que possam, com antecedência, preparar tomadas de decisão para o agronegócio no país. Além do estudo de cenários futuros, de plantas daninhas e pragas, estão sendo considerados sistemas produtivos, solo e adaptação genética. O projeto inclui 15 culturas, todas importantes para a exportação, direta ou indiretamente, como a soja, café, citrus e forragiculturas.


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