Núcleo Feminino do Agronegócio visita a Embrapa

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Núcleo Feminino do Agronegócio visita a Embrapa

Grupo conheceu o serviço de conservação de raças comerciais e as biotécnicas de reprodução animal
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Grupo conheceu o serviço de conservação de raças comerciais e as biotécnicas de reprodução animal

 

A cara do agronegócio brasileiro está mudando. Se antigamente era quase impossível encontrar representantes do sexo feminino comandando grandes fazendas produtoras de gado e grãos, hoje é fácil encontrar mulheres que herdaram grandes propriedades agropecuárias e as gerenciam com competência e feminilidade. Algumas delas se uniram e criaram em 2010 o Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA), grupo ligado à Sociedade Rural Brasileira que reúne 25 proprietárias de fazendas em SP, PR, GO, MT, MS, PI, MG, RS, MA e RO. E elas estão diretamente envolvidas no comando e no processo produtivo de seus negócios. Tanto é que, nesta quarta-feira (14), visitaram a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Cerrados em busca de expertise para melhorar ainda mais a gestão das propriedades que comandam.

Lideradas pela pecuarista Teresa Cristina Vendramini - que além de tocar fazendas no interior de SP e MS é socióloga política - o grupo foi recebido pelo Diretor Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Dr. Ladislau Martin Neto, que falou dos desafios para o agronegócio do futuro, tais como energia, água, alimento e meio ambiente, e apresentou dados que mostram como a agropecuária pode ser o principal vetor da bioeconomia brasileira. " O Brasil é uma potência em energia renovável e o único país que pode se tornar, ao mesmo tempo, uma potência agrícola, energética e ambiental", afirmou o diretor, enfatizando que a tecnologia é o fator mais importante para explicar o crescimento da agropecuária brasileira. Dr. Ladislau afirmou que a Embrapa trabalha na "fronteira do conhecimento" para oferecer soluções tecnológicas de ponta ao setor produtivo brasileiro.

O Chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, complementou a fala do Diretor de P&D ao afirmar que "a transferência de tecnologia é feita antes mesmo da pesquisa, já que trabalhamos avaliando as demandas da sociedade que vão dar origem aos projetos de pesquisa". Ele recordou que o primeiro clone bovino da América Latina, um bezerro da raça Simental, nasceu em 2001 na Fazenda Sucupira da Embrapa e foi o ponto de partida para diversas pesquisas na área de reprodução e produtividade animal que hoje são desenvolvidas pelos cientistas da instituição. 

Grupo conheceu o banco genético e o serviço de conservação de raças comerciais

O pesquisador da área animal Arthur Mariante apresentou ao Núcleo Feminino do Agronegócio um serviço inédito no país: a conservação de raças comerciais de interesse zootécnico no Banco Genético da Embrapa.  As visitantes conheceram de perto a sala onde são mantidos três criobancos com botijões de nitrogênio líquido a 196ºC abaixo de zero, que têm capacidade para armazenar 270 mil doses de sêmen com total segurança e sem custo para os pecuaristas. 

Mariante explicou que os animais utilizados hoje pela pecuária nacional são resultado de trabalhos desenvolvidos por criadores e pesquisadores que utilizam como base análises genéticas que promovam o aumento da produtividade. É comum, no entanto, que durante os processos de seleção muitas linhagem sejam descartadas pelos criadores. "O objetivo da Embrapa ao oferecer este novo serviço é auxiliar os criadores na preservação das linhagens que deram origem aos rebanhos atuais", explica o pesquisador. "Desta forma, a Embrapa e os produtores estarão contribuindo para resgatar e conservar a história da pecuária no Brasil", complementa. 

Inaugurado em 2014, o Banco Genético possui fábrica própria de nitrogênio líquido, o que possibilita à Embrapa oferecer o serviço de conservação de raças comerciais sem custo para os produtores. Além da isenção dos custos, o serviço conta com a segurança e a expertise alcançadas pela Embrapa ao longo de mais de três décadas dedicadas à conservação de recursos genéticos animais no Brasil. 

Pecuaristas visitaram laboratórios de reprodução animal 

A última etapa da visita do NFA à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia foi a visita aos laboratórios onde são realizadas as pesquisa na área de biotecnologia aplicada à reprodução animal. A pesquisadora Margot Dode explicou que o modelo de experimentação utilizado pela Embrapa é o bovino, e que o carro-chefe das biotécnicas de reprodução continua sendo a Produção In Vitro de Embriões (PIVE). "Essa é uma técnica extremamente importante para o País e essencial para a utilização das outras biotécnicas", explicou Margot. A pesquisadora lembrou que o Brasil é hoje o maior produtor de embriões bovinos in vitro do mundo, representando mais de 80% do mercado mundial e que a Embrapa teve um papel fundamental nessa conquista. 

Além da PIVE, a pesquisadora falou de outras técnicas que estão sendo desenvolvidas para melhorar cada vez mais a qualidade dos embriões bovinos, como a Transferência Intrafolicular de Ovócitos Imaturos (TIFOI Embrapa), que associa as vantagens da aspiração folicular ovariana (OPU ou Ovum Pick-up) com as da produção in vivo de embriões. "Essa seria a opção ideal para a multiplicação de bovinos, pois dispensa a utilização de hormônios e também dos equipamentos e meios utilizados na PIVE", explicou Margot. A técnica foi recentemente publicada em artigo científico e permitiu a produção de embriões de qualidade e alta taxa de prenhez. 

Outra biotécnica apresentada pela pesquisadora foi a transgenia, que poderá, no futuro, permitir a obtenção de animais transgênicos que atuem como biofábricas para a produção de medicamentos, por exemplo. "Como a técnica da transgenia ainda depende da clonagem, que tem baixa eficiência, ela ainda precisa ser aprimorada. Tanto é que no Brasil só existe um animal transgênico, uma cabra. No entanto, esta é uma área muito promissora e que tem grande apelo pelo setor produtivo", disse Margot. 

Mulheres do agronegócio afirmam que a Embrapa é um diferencial em suas fazendas

Sobre a visita à Embrapa, a coordenadora do Núcleo Feminino do Agronegócio, Tereza Vendramini, afirmou que as pesquisas da Embrapa fazem a diferença nas propriedades onde atuam. "Estar na Embrapa é um privilégio para nós", afirmou Teresa. Após a visita à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o grupo se dirigiu à Embrapa Cerrados, onde foi conhecer as contribuições tecnológicas que transformaram o Cerrado, as biotécnicas de reprodução utilizadas para o desenvolvimento de zebu leiteiro e a intensificação sustentável alcançada através da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). 

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