Números de confinamentos podem cair até 15%
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Agronegócio

Números de confinamentos podem cair até 15%

Elevação nos preços dos insumos encarecem sistema e desestimulam pecuaristas
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Elevação nos preços dos insumos encarecem sistema e desestimulam pecuaristas

O número de gado de corte confinado neste segundo semestre em todo o Brasil poderá ser até 15% inferior se comparado com o mesmo período do ano passado. A estimativa inicial para este semestre, realizada no começo deste ano pela Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), apontava um volume de 4 milhões de cabeças. Mas devido aos elevados custos de produção, o levantamento já reduziu a estimativa para 3,8 milhões, mesma quantidade de animais confinados no segundo semestre de 2011. Os valores dos insumos como farelo de soja, milho e demais produtos que fazem parte da alimentação dos bovinos, são os principais fatores que desestimulam os criadores a aderirem ao sistema de confinamento.


Bruno Jesus Andrade, gerente-executivo da associação, explica que os produtores estão optando por deixar os animais em pasto. ''Os pecuaristas estão confinando quando realmente há necessidade'', completa. Andrade comenta que o volume regular de chuvas em algumas regiões do Brasil, principalmente nos estados do Sul, motivou ainda mais os criadores a manterem seus animais no pasto. Andrade estima que no Paraná, que possui cerca de 9,7 milhões de cabeças, a adesão ao sistema de confinamento tende a ser cada vez menor. A entidade não possui números sobre a quantidade de confinamento no Estado.

O representante da Assocon observa que os produtores devem aproveitar os pastos verdes neste inverno para tentar reduzir os custos de produção. José Carlos Urias, criador de gado na região de Umuarama, explica que em sua propriedade, a adoção pelo sistema de semi-confinamento foi uma saída para amenizar os prejuízos. Com uma produção anual que varia entre 200 e 300 animais de ciclo completo, Urias utiliza o coxo e o pasto ao mesmo tempo para tentar amenizar os custos de produção. ''No coxo forneço as proteínas necessárias que meus animais necessitam e, no pasto, substituo o volumoso pelo capim'', completa.


O representante da Assocon acrescenta que a desistência de muitos pecuaristas ao sistema de confinamento pode afetar a qualidade da carcaça dos bovinos. O motivo, explica ele, é porque há uma redução no uso de suplementos alimentares que proporcionam um melhor desempenho de engorda. Além disso, Andrade alerta que se os confinamentos diminuírem ainda mais, pode afetar a oferta dos animais no mercado, elevando os preços da arroba que hoje, na média do Paraná, gira em torno de R$ 90,24. Entretanto, Andrade salienta que as contas daqueles que confinam não estão fechando'', observa o especialista.

Alex Lopes da Silva, consultor da Scot Consultoria, destaca que a adoção do confinamento é apenas uma questão estratégica, ou seja, quando não há pastos suficientes e preços convidativos. Ele atesta que o confinamento entra para dar somente um suporte ao setor produtivo. ''O uso da técnica representa entre 6% e 8% da produção pecuária brasileira. O volume é pequeno porque ela é considerada uma atividade de alto risco'', acrescenta. O consultor observa que a saída para melhorar a renda do produtor na atual situação de mercado, é aumentar a escala de produção e elevar a produtividade de animais por área para reduzir os custos de produção.


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