O apoio ao setor produtivo
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Agronegócio

O apoio ao setor produtivo

O governo brasileiro, que inicialmente chegou a insistir na possibilidade de o país ficar imune aos efeitos da crise global, começa a deixar claro como pretende reagir para enfrentar riscos inevitáveis
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O governo brasileiro, que inicialmente chegou a insistir na possibilidade de o país ficar imune aos efeitos da crise global, começa a deixar claro como pretende reagir para enfrentar riscos inevitáveis. Primeiro, a equipe econômica se preocupou em atenuar um pouco o aperto no crédito, afrouxando o compulsório dos bancos com o objetivo de liberar recursos para áreas em situação mais crítica. Ao mesmo tempo, reforçou as verbas previstas para financiar o agronegócio. Nem uma nem outra medida ainda surtiu os efeitos esperados, mas a equipe econômica já anuncia a intenção de antecipar, provavelmente para esta semana, medidas destinadas a incentivar a construção civil. A pretensão está no rumo certo, pelo efeito multiplicador que a atividade costuma gerar, pois não se limita a reduzir o déficit habitacional: além de movimentar recursos, gera oportunidades de trabalho e impostos para os cofres públicos.

É lamentável que o Brasil, depois de muito esforço para assegurar um período de crescimento continuado, se veja agora diante da possibilidade iminente de uma desaceleração no ritmo da atividade produtiva. As conseqüências só não serão mais preocupantes porque, depois de ver muitos dos ganhos na área econômica serem corroídos por crises internacionais que se sucedem a partir da última década, o país tomou providências rígidas, com ênfase no rigor fiscal. Ao mesmo tempo, a confirmação do crescimento neste ano já garante para o próximo uma expansão que o poder público tem condições de potencializar se colocar em práticas medidas adequadas.

A anunciada recessão mundial já tem extensões evidentes em nosso país, especialmente sob a forma de congelamento, suspensão ou cancelamento de investimentos produtivos. Os prejuízos registrados por grandes empresas, particularmente as com forte atuação no mercado externo, tendem a aprofundar uma tendência de recessão em algumas áreas. A recessão cobra um preço econômico que, se não for devidamente aprofundado, pode se estender ao social. As autoridades precisam continuar alertas para evitar que o processo se aprofunde.

De alguma forma, a anunciada decisão do governo federal de manter o ritmo das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) acena com a perspectiva de que os efeitos da recessão mundial poderão ficar sob controle no país. Com recursos já assegurados para obras, particularmente em infra-estrutura, o PAC pode contribuir para atenuar a anunciada desaceleração do crescimento. O reconhecimento de que os efeitos já se fazem sentir e de que é preciso enfrentá-los é um primeiro passo para enfrentar o problema.

Mas é preciso que o país demonstre competência para preservar sua atividade produtiva, com ênfase em áreas que, por suas características, costumam dar uma resposta mais rápida em períodos de crise, como é o caso da agricultura e da construção civil.

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