O engodo da inflação do frango
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Agronegócio

O engodo da inflação do frango

As recentes elevações recolocaram o alimento na berlinda, transformando-o mais uma vez em vilão da inflação
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As recentes elevações de preço do frango – decorrentes de uma redução de produção imposta pelos altos custos das matérias-primas – recolocaram o alimento na berlinda, transformando-o mais uma vez em vilão da inflação.

Nada mais falso, porém, porquanto as altas registradas só ganham algum significado quando os preços atuais são comparados àqueles praticados dois ou três meses atrás ou, então, há um ano. Em outras palavras, apesar das variações (para cima e para baixo) aqui e ali, no ano o frango vem apresentando valor médio muito similar ao do mesmo período do ano passado. Isso, em todos os níveis, isto é, na granja, no atacado e no varejo.

Esse fato fica muito claro quando se analisam os preços registrados nas primeiras 38 semanas deste ano. Aqui, tomou-se como referência o preço médio semanal, pois é este o padrão adotado pelo Procon-SP no acompanhamento da cesta básica dos paulistanos. E, pelos dados do Procon-SP, o preço médio do frango resfriado nas 38 semanas iniciais de 2012 (espaço de tempo decorrido entre 5 de janeiro e 20 de setembro último) foi de R$4,15/kg, valor apenas 2,17% superior ao de idêntico período de 2011.

O preço do frango resfriado no atacado da cidade de São Paulo – provavelmente, o que reflete as condições da avicultura de corte melhor que o preço do frango vivo – apresentou evolução ligeiramente superior. Mas não a ponto de transformá-lo em vilão da inflação, visto que nessas 38 semanas registrou variação de irrisórios 14 centavos (de R$2,58/kg no ano passado para R$2,72/kg em 2012), o que significou variação de 5,19%. Enquanto isso, no mesmo período, a cesta básica dos paulistanos aumentou mais de 8%. Quer dizer: não foi por culpa do frango...

O mais curioso, no entanto, é que (fato já comentado pelo AviSite) o preço recebido pelo produtor nas granjas do interior paulista mantém-se nos mesmos níveis de 2011, com variação nominal de preço igual a “zero”. Ou seja: embora nas primeiras 12 semanas deste segundo semestre o preço pago ao produtor tenha aumentado quase 12% em relação às mesmas 12 semanas do ano passado, o ganho daí advindo foi totalmente neutralizado pela queda de, praticamente, 6% registrada no primeiro semestre do ano.

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