Agronegócio

O leite na ponta do lápis

Na propriedade, o valor médio recebido pelo litro do leite foi de R$ 1,21 no mês de junho, alta de 31,5% frente aos R$ 0,92 de 2015
Por: -Victor Lopes
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O consumidor bate o olho na gôndola do supermercado e se assusta com o preço do litro do leite. Em diversos estabelecimentos do Estado, o valor ultrapassa a casa dos R$ 4 com extrema facilidade. Na outra ponta da cadeia leiteira, vem a pergunta se o produtor, de fato, tem aproveitado desta situação do mercado. A reportagem da FOLHA apurou que o cenário não é, digamos, tão favorável aos produtores, principalmente àqueles de pequeno porte. Se os custos de produção não estiverem bem ajustados e a produção não for, de fato, volumosa, existe grandes possibilidades de fechar essa conta no vermelho. No leite, a administração é fundamental.

Na propriedade, o valor médio recebido pelo litro do leite foi de R$ 1,21 no mês de junho, alta de 31,5% frente aos R$ 0,92 pagos pelo produto no ano passado. Quando analisado as médias anuais, 2016 tem valor de R$ 1,08, contra R$ 0,93 do ano anterior. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab).

O presidente do Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), Ronei Volpi, salienta que o Estado deve fechar com uma queda na produção de 15%. Ele relata que os preços baixos do ano passado ocasionaram de forma direta uma redução do rebanho leiteiro, o que impactou na redução da oferta da matéria-prima e, consequentemente, elevação dos preços. "Por outro lado, nós agora estamos enfrentando custos de produção que estão uma loucura. 50% da suplementação dos animais acontece no cocho, sendo que os preços de milho e soja estão nas nuvens", salienta Volpi.

O inverno rigoroso e antecipado prejudicou as pastagens de inverno. Além disso, muitos produtores não conseguiram fazer uma silagem de milho adequada, gastando ainda mais com a alimentação para manter a produtividade do rebanho em níveis rentáveis. Vale dizer também que componentes do sal mineral, fertilizantes, medicamentes e equipamentos estão diretamente atrelados ao dólar. "Hoje o valor do custo de produção, para um produtor que trabalha de forma eficiente, fica de R$ 1,15 a R$ 1,20 o litro. A alimentação representa 50% dos custos, sem contar energia elétrica, mão de obra...", elenca.

Nas contas do representante do Conseleite, as margens estão cada vez menores para o produtor, que precisa ser muito eficiente para ganhar dinheiro com o leite. "O que acontece na prática é que os bons produtores vão acertando suas contas, não fazem investimentos fora de hora, para aproveitar o bom momento. Agora, aqueles produtores pequenos, que têm volume menor que 300 litros de leite por dia, dificilmente vão sobreviver na atividade".

Por fim, Volpi relata que a indústria leiteira tem passado o produto para o comércio a no máximo R$ 3 o litro. Na opinião dele, o varejo tem se aproveitado da situação para cobrar preços abusivos dos consumidores. "O comércio cria um cenário que acaba prejudicando o consumidor final. Além dos valores do leite, facilmente vendido por R$ 3,80 o litro, o mercado de queijo também está fora de controle", finaliza.

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