O milho está chegando no Ceará
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Agronegócio

O milho está chegando no Ceará

Nos últimos meses, em plena seca, o produto não foi distribuído e o rebanho local já morria de fome
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Começa a desembarcar no Ceará, aos poucos, o milho para repor parcialmente o estoque da Conab. Nos últimos meses, em plena seca, o produto não foi distribuído e o rebanho local já morria de fome
 
No último domingo (21) carretas partiram do município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Outras três deixaram Jataí, em Goiás. Cada uma transportando em média cerca de 40 toneladas de milho grãos. A carga é esperada com ansiedade por pecuaristas cearenses. Se nada atrapalhar, os veículos devem chegar ao Ceará após cinco dias de viagem.

Nas carrocerias está o que amenizará a fome do rebanho do Estado – bovinos, ovinos, caprinos e outras criações. Os animais estão baqueados pela estiagem severa deste ano no semiárido brasileiro. E passaram mesmo fome. O milho não chega regularmente aos armazéns e postos de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Interior do Ceará desde o início deste segundo semestre de 2012. O drama tem sido o mesmo em todo o Nordeste.

Pela Conab, o pecuarista pagará R$ 18,12 (de 1 kg a 3 toneladas), R$ 21,00 (de 3 a 7 toneladas) ou R$ 24,60 (de 7 a 14 toneladas), pela saca de 60 kg, dependendo da quantidade que informe ao órgão para aquisição. No comércio de rua, por causa da seca, a mesma saca de milho tem sido vendida por até R$ 50,00. É o preço cobrado por comerciantes na Zona Norte, Inhamuns, Sertão Central e Vale Jaguaribano.

Antes, a demanda cearense do milho para os rebanhos era de 30 mil toneladas/mês, atendendo a 34.700 produtores cadastrados junto ao órgão. Após três meses sem o produto, só na última sexta-feira, dia 19, a Conab realizou leilão público para contratar nova transportadora e despachar o milho para o Ceará.

Desde abril

O superintendente da Conab no Ceará, Francisco Agenor Pereira, disse que as transportadoras desistiram do frete com valor mais barato, como combinado no contrato, justamente quando houve alta nos valores de mercado. Exigiram R$ 30,00 a mais por tonelada no custo de transporte. Pegaram o governo desprevenido para a situação. Além disso, produtores de milho particulares, que vendiam ao governo suas safras, também preferiram atender ao mercado externo. Exportaram principalmente para os Estados Unidos, que teve quebra de safra este ano.

Somando tudo isso a uma greve de caminhoneiros e mais a implantação da lei que regula o horário de trabalho aos profissionais motoristas de estrada, o desabastecimento do milho tornou-se inevitável. E calamitoso.

“A situação com esta seca é, de fato, de calamidade. Está muito grave”, admite o superintendente. Segundo ele, alguns criadores já pedem mais milho para compra desde abril. Em época climática normal, ainda seria tempo de chover, mas já era estiagem. Ele garante que no Ceará “o último milho não chegou há três meses, mas faz uns 20 dias. Estava chegando pouco”.

Até ontem, apenas oito carretas (sem contar as 24 citadas no início desta matéria) haviam chegado a unidades da Conab no Ceará: uma em Senador Pompeu, duas em Sobral, duas em Brejo Santo e três em Maracanaú. A carga despachada traz inclusive milho comprado antes da licitação da semana passada, que esteve embarreirada por causa da polêmica do frete.

Em Brasília, a Conab informa que são 89,3 mil toneladas a enviar para Nordeste, Centro-Sul e Norte - 12 Estados e o Distrito Federal - para o programa de venda em balcão.

E agora

ENTENDA A NOTÍCIA

Os caminhões com o milho da Conab devem chegar em maior frequência ao Ceará na próxima semana. Será vendido em 13 cidades: Sobral, Russas, Crateús, Maracanaú, Senador Pompeu, Iguatu, Icó, Juazeiro do Norte, Tauá, Brejo Santo, Quixeramobim, Marco e Lavras da Mangabeira.

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