O que esperar da agricultura regenerativa?
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Imagem: Arquivo
AGRIMARK BRASIL AGRO

O que esperar da agricultura regenerativa?

AGRIMARK BRASIL promoveu o debate sobre mercado de carbono e as novas tecnologias
Por: -Aline Merladete

Em um momento em que os conceitos de preservação e recuperação tem sua devida importância no atual cenário do agronegócio é oportuno que se trate sobre AGRICULTURA REGENERATIVA, MERCADO DE CARBONO E AS NOVAS TECNOLOGIAS. Por isso, a 19ª edição do AGRIMARK BRASIL AGRO VIRTUAL abordou temas tão relevantes e necessários para o momento. O conceito de proposta objetiva da regeneração e manutenção de todo o sistema de produção agrícola, incluindo as comunidades rurais e os consumidores, reunindo práticas focadas em resultados, como aumento da produtividade, captura de carbono no solo, incremento da biodiversidade, diminuição da irrigação – principalmente onde recursos hídricos são mais escassos – entre outros. 

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, foi representado por Vanessa Prezotto Silveira, chefe da assessoria especial para assuntos Socioambientais do Ministério da Agricultura (Mapa). “É importante lembrarmos que agricultura regenerativa é um termo que engloba conjuntos de práticas sustentáveis com a visão de planejamento a longo prazo dentro da propriedade. É preciso ter em vista a missão de recuperar o ecossistema, é possível trazer uma produção que vai manter o sistema produtivo agrícola. O objetivo é realizar práticas integradas na produção que façam com que o próprio sistema se alimente e o mantenha sustentável. Otimizamos recursos e focamos em cultivar a saúde do solo, dessa forma você transforma a agricultura mais resiliente. ”, salientou Vanessa. 

Cleber Oliveira Soares, secretario-adjunto de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, também participou do evento e acrescentou que o agronegócio cresceu graças as novas tecnologias e seguramente seguirá assim. “Temos que partir do principio que o agro é um importante player para solucionar boa parte dos problemas de descarbonização do mundo” pontuou. 

Clique aqui e assista o evento na íntegra. 

De acordo com Luis Felipe Adaime, Fundador e CEO da Moss Earth, há um potencial gigantesco para o Brasil se e quando os governos globais se alinharem num mercado global de carbono. Como temos 40% das florestas tropicais do mundo, e como temos mais de 50% do carbono do mundo poderíamos conservar nossas florestas, gerar milhões de certificados digitais chamados créditos de carbono, e vendê-los a empresas e governos de países desenvolvidos. ??

“Não basta apenas ter a oferta dos créditos, é preciso facilitar o acesso ao carbono para que a demanda aumente e o ativo se valorize ao ponto de convencer os donos de terra na Amazônia a manter a floresta em pé. Mecanismos de blockchain já democratizam a compra dos certificados digitais, em vigor desde o Protocolo de Kyoto, por meio de tokens lastreados em carbono. No ano passado, lançamos no Brasil uma plataforma global de compra e venda de crédito de carbono que permite a qualquer pessoa ou empresa neutralizar sua pegada ambiental de forma simples e acessível”, salientou o CEO da Moss Earth.

A maior parte de créditos de carbono do mundo, mais de 99 por cento, não são provenientes de projetos ambientais. Existe um paralelo, um mercado primário com crescimento explosivo, que é o mercado voluntário, que trabalha de forma paralela ao mercado regulado e em que o ativo, a compensação de carbono, é um ativo global. É globalmente reconhecido. Os certificados de créditos voluntários seguem os protocolos globais e são fornecidos por projetos ambientais. Para assim dizer que os créditos dos mercados voluntários são fornecidos em grande maioria por projetos de energia limpa e projetos florestais. “O ponto principal é que a demanda global está explodindo, os millennials têm se tornado o maior grupo demográfico no mundo e eles se importam muito mais com o planeta do que as gerações mais antigas, como os baby boomers. Eles estão exigindo, como investidores e consumidores, que as companhias compensem sua pegada de carbono. Como os créditos de carbono voluntários são os mais baratos e vêm de projetos ambientais, é mais fácil para as empresas os adquirirem  e expor ao mercado o seu uso como compensação de melhor qualidade”, finalizou Luis Felipe. 

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O Guilherme Raucci, gerente de Sustentabilidade da Syngenta, tratou sobre a importância das novas tecnologias e do setor Agropecuário para o mercado de carbono no Brasil. O aumento da consciência sobre o aquecimento global e a necessidade de ações urgentes para reverter os efeitos das mudanças climáticas, os compromissos e metas estabelecidos por governos e empresas para redução de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), além da demanda dos consumidores por produtos mais sustentáveis, são alguns dos fatores que contribuíram para o aumento da demanda por créditos de carbono nos últimos anos.

“Nesse contexto, o setor agropecuário brasileiro possui um grande potencial para se tornar um produtor de créditos de carbono e outros serviços ambientais. Além da oportunidade existente em projetos de conservação florestal e reflorestamento, boas práticas agrícolas que aumentam o sequestro de carbono no solo, inserem componentes arbóreos no sistema produtivo e aumentam a eficiência produtiva com a redução na utilização de insumos, são exemplos de atividades que podem gerar créditos de carbono em larga escala no Brasil”, pontuou o gerente de Sustentabilidade. 

Por isso, o avanço em soluções tecnológicas que possam acelerar, reduzir custos e dar mais transparência aos processos de geração dos créditos são muito importantes. Além disso, tais soluções podem contribuir para que empresas e indivíduos possam acessar os créditos de maneira prática e fácil para compensar e neutralizar suas emissões.

O anúncio recente, e muito aguardado, da criação do Mercado de Carbono Brasileiro e do Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Sinare), representa um passo muito importante para que o Brasil se consolide como protagonista nas discussões globais das soluções baseadas na natureza para reverter os efeitos das mudanças climáticas.

A diretora de Produção Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Fabiana Villa Alves, afirmou que desde 2010 o Ministério está com o Plano ABC fomentando sistemas de produção. “Vejo que estamos no inicio de um mercado regulado, ainda temos muito chão pela frente. Estamos pavimentando esse futuro. Eu costumo dizer que crédito de carbono é o melhor indicador de eficiência, quanto mais eficiente for em sua produção, mais terá créditos de carbono”, finalizou. 

Bruno Teixeira, diretor de Estratégia da Santos Lab, assegurou que quando falamos sobre sustentabilidade ainda há um longo, promissor e potencial caminho lucrativo a seguir. “Temos o maior programa de agricultura sustentável do planeta – o Plano ABC – e sabemos que há uma grande oportunidade de implementação das práticas e aumento de financiamentos. É uma enorme possibilidade de crescimento” completou.

Já Renata Nogueira, gerente de Sustentabilidade da Cargill, destacou as metas da empresa e focou em uma, que é a mais desafiadora. ‘Temos a meta de até 2030 todas nossas cadeias agrícolas em todo o mundo serem livres de desmatamento. No Brasil 96% dos volumes da Cargill já são livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa. Resumindo, estamos inseridos em um  ambiente desafiador, mas ainda com muitas oportunidades”, concluiu.

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O presidente Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNbio), Paulo Barroso, em sua participação no AGRIMARK Brasil salientou que, a sustentabilidade da agricultura brasileira cresce com a ampliação contínua do uso de tecnologias consideradas “limpas”. Práticas como o plantio direto, sistemas de manejo como a integração lavoura-pecuária-florestas e a introdução contínua de inovações que otimizam as atividades agrícolas são esteios importantes desse aumento. 

“Os agricultores brasileiros estão na vanguarda, incorporando numa velocidade espantosa práticas e tecnologias que poderíamos considerar impossíveis ou inviáveis há pouco tempo. Diversas são os grupos de inovações que garantem esse o avanço contínuo da sustentabilidade da agricultura. Destaco três: as tecnologias genéticas embarcadas nas sementes – por meio de transgênia e edição gênica, o boom do uso de biosinsumos e a agricultura de precisão. As tecnologias genéticas já promoveram um grande impacto via transgenia. Mesmo atuando aquém de suas possibilidades, os benefícios foram tão grandes que 70% da área cultivada com culturas anuais no país é feita com plantas transgênicas há mais de uma década. Novas características e espécies vegetais estão sendo acrescidas a esse pipeline que devem ampliar o impacto positivo na sustentabilidade. O uso dos bioinsumos teve um crescimento vertiginoso desde a metade da década passada e está revolucionado o manejo de adversidades de origem biótica e abiótica. A agricultura de precisão, por sua vez, permite ao agricultor um leque de informações e a automação de processos que permitem melhor gerenciamento das atividades e a otimização do uso de insumos. O somatório dos impactos dessas e outras tecnologias vai ao encontro das necessidades da humanidade por alimentos e por um ambiente mais saudável, impactando de modo bastante significativo a sustentabilidade da agricultura”, destacou o presidente da CTNbio.

Por fim, Dione Mary Nobre de Souza Cardiolli, gerente de Soluções da Diretoria de Agronegócio do Banco do Brasil, ressaltou a responsabilidade do agro “O produtor rural é responsável, os bancos, as empresas e o consumidor final. É importante buscarmos garantir a rastreabilidade de todo o processo”.

O evento reuniu protagonistas deste complexo ecossistema para compartilhar conhecimento com um debate propositivo, de fomento, para mostrar as principais “tendências” e projeções nacionais e internacionais para o desenvolvimento do setor.

O 19º AGRIMARK BRASIL AGRO VIRTUAL é promovido pelo Instituto de Educação no Agronegócio (I-UMA) e pelo PORTAL AGROLINK, uma das principais plataformas de conteúdo agro do país. O evento conta com o patrocínio da Syngenta e Santos Lab e o apoio do Banco do Brasil.

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