Oferta em áreas atrai brasileiros para a África
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Agronegócio

Oferta em áreas atrai brasileiros para a África

Faltam investidores e recursos para explorar produção, diz membro de fundação Africana
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Faltam investidores e recursos para explorar produção de grãos, diz membro de fundação Africana
Busca por terras agricultáveis tem levado produtores brasileiros a ampliarem negócios fora do território verde e amarelo. Interessados em expandir especialmente a produção de leguminosas, fibras e cereais estão recorrendo a diferentes países. A África tornou-se a 'vitrine' para o agronegócio e, aos poucos, começa receber empresários rurais do Brasil. O interesse pelo intercâmbio entre os dois países é explicado por Gerhard Scholtemeijer, diretor da Fundação de Pesquisa em Soja na África. Áreas o continente possui, mas faltam recursos especialmente investidores interessados em explorar a atividade agrícola.

"Oitenta por cento das áreas do continente não são usados. É possível ver o potencial, mas falta dinheiro. A oportunidade como para a soja é grande", pontuou o gestor, em entrevista ao Agrodebate. Mas estabelecer parcerias com grupos já instalados no território africano é o primeiro passo para exercer o ofício agrícola. Ainda, comunicar o governo do país sobre o interesse.

Scholtemeijer diz que Brasil e África do Sul já comungam de parcerias porque são membros do chamado Brics, grupo econômico formado também pela Rússia, Índia e a China. Na área da pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já está presente no continente.

Mas para fomentar a agricultura no país é preciso conhecer o território que se pretende trabalhar, aponta Paulo Roberto Galerani, da Embrapa Cerrados. "Não podemos pegar uma tecnologia e dizer que está pronta para lá. É preciso fazer testes para saber se irá se adaptar. Há diferenças e temos que trabalhar junto com as instituições do país", reforça o pesquisador.

No continente, boa parte dos agricultores trabalha com a produção de itens familiares. "África é uma oportunidade para a agricultura brasileira. O país tem 600 milhões de hectares de Savana. Já o Brasil, 200 milhões de hectares em Cerrado", lembra o pesquisador ao comparar a semelhança entre os lados.

Em Moçambique e no Sudão o grupo Pinesso (oriundo do Mato Grosso do Sul) apostou no cultivo de 35 mil hectares entre soja e algodão nesta safra. A opção pelo continente deu-se em 2009, lembra o diretor agrícola Luiz Carlos Bueno.
Segundo ele, a ocupação ocorreu a partir do apoio oferecido pelo governo. Uma das vantagens de Moçambique é o uso da Língua Portuguesa como idioma oficial. Além disso, na localidade a população tem direito à propriedade privada, enquanto no Sudão as terras pertencem ao governo.

Mesmo registrando produtividade inferior em relação a obtida no Brasil, os lucros em cima de cada hectare naquele continente podem ultrapassar a barreira de US$ 400. "É preciso estabelecer parcerias para se instalar lá e evitar riscos", esclarece.

Na pauta das exportações, o Brasil não exporta para a África. Dos mais de US$ 76 bilhões enviados ao mercado externo entre janeiro a abril, não houve remessa de produtos para o continente, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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