Oficina discute comunicação, agroecologia e sistematização de experiência

Agronegócio

Oficina discute comunicação, agroecologia e sistematização de experiência

O objetivo das oficinas é ampliar a compreensão sobre o papel da comunicação, contribuir para a divulgação das experiências agroecológicas
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"Sistematizar uma experiência é contar a história do agricultor ou de grupos de agricultores". Assim definiu o técnico em agropecuária, Egídio dos Santos Neto, do Centro Dom José Brandão de Castro, e um dos participantes da Oficina de Comunicação Comunitária para a Convivência com o Semiárido que aconteceu de 28 a 30 de novembro, em Canindé de São Francisco, Território Alto Sertão Sergipano.

Com 40 participantes, a oficina foi uma iniciativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e faz parte de um trabalho de formação continuada em comunicação, iniciado em 2014, junto aos 14 territórios da Cidadania onde a Empresa vem atuando desde 2012, no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria (PBSM). 

O objetivo das oficinas é ampliar a compreensão dos atores locais sobre o papel da comunicação para a convivência com o Semiárido, além de contribuir para a divulgação das experiências agroecológicas desenvolvidas pela Embrapa e instituições parceiras, buscando fortalecer estratégias que reforcem o papel das comunidades como protagonistas do desenvolvimento local.

Em Sergipe e Alagoas, a Embrapa conta com importantes parcerias como a ASA, a Associação dos Agricultores Alternativos (AAGRA/AL), o Coletivo Macambira (AL), a Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural (SASAC, SE), a Associação Mão no Arado de Sergipe (Amase), o Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC, SE), a Rede Sergipana de Agroecologia (Resea) e a Rede Nordeste de Núcleos de Agroecologia (Renda).

Segundo o pesquisador Fernando Fleury Curado, do Núcleo de Agroecologia da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju/SE), a oficina de comunicação popular realizada em Canindé de São Francisco fortalece a parceria da Embrapa com a ASA em Sergipe e Alagoas e, neste momento, amplia suas parcerias para a Rede Sergipana de Agroecologia e a Rede Nordeste de Agroecologia.

"A ideia é a gente discutir os processos relacionados à comunicação, no sentido de agregar ainda mais organizações e núcleos, em uma comunicação que favoreça a visibilização das experiências em agroecologia e suas expressões. Temos certeza que a comunicação popular vai se fortalecer e que colheremos frutos nos próximos anos", destaca o pesquisador.

Os três dias do evento foram permeados pelos debates da Comunicação como um direito, da comunicação popular, planejamento e a sistematização das experiências. Aconteceram também oficinas práticas e visitas às experiências agroecológicas em Porto da Folha e Nossa Senhora da Glória, regiões onde a Embrapa atua em parceria com organizações não governamentais.  Durante o evento, também foram realizadas apresentações de experiências com o uso da metodologia de instalação pedagógica, na qual os participantes levaram elementos de suas experiências de campo para compartilhar com os demais, como fotografias, publicações, cartazes, banners, folders, áudios e vídeos.

Vivências agroecológicas

Maria Aparecida da Silva, do Povoado de Lagoa da Volta, em Porto da Folha, e Maria José de Jesus Oliveira, do Povoado Periquito, em Nossa Senhora da Glória, receberam as visitas dos participantes da oficina. "Foi muito importante receber as equipes que estavam nessa oficina de comunicação, porque tivemos essa troca de experiências. Todos os intercâmbios que eu participo são muito importantes, pois são sempre experiências a mais que aprendo. E a comunicação é uma faculdade que precisa chegar para todos os agricultores", ressalta Cida Silva, como é mais conhecida em Lagoa da Volta.

As duas agricultoras se destacam por serem agroecológicas e experimentadoras que convivem com o Semiárido. Cida tem uma cisterna calçadão e um quintal agroecológico onde produz hortaliças e cultiva frutas como caju, uva, seriguela, carambola, além de um rico canteiro de ervas medicinais com mais de 35 espécies. Também chama atenção na propriedade a diversidade de sementes crioulas que armazena para preservação e propagação, como as de milho, fava e feijão. E o biodigestor para a geração de gás metano para uso na cozinha.

Maria José tem um quintal produtivo, com uma diversidade de produção de hortaliças e também de moringa. Também se destaca pelo uso de técnicas alternativas de conservação da umidade do solo ao redor da planta, com uso de madeira e palma, entre outras práticas de convivência com o Semiárido. Toda sua produção é destinada à comercialização em feiras agroecológicas. "Eu sou hoje conhecida pela minha produção de adubo orgânico, muita gente vem aqui comprar ou ajudar a levar para a feira. E isso tudo acontece na minha vida tem só quatro anos, mas já me sinto diferente, a agroecologia mudou a minha vida, me fez andar com as minhas próprias pernas", diz com orgulho a agricultora de Nossa Senhora da Glória.

 "A visita de campo nos permitiu ter um olhar mais real sobre proposta de sistematização de experiências e sua relação com a comunicação comunitária, além de favorecer a troca de experiências, pois assim como dona Cida, nós do MCP temos um banco de sementes com nove variedades de milho crioulo", destacou Luiz Mário Marinho, representante do Movimento Camponês Popular (MCP).  Para o técnico em agropecuária, Egídio dos Santos Neto, a visita à propriedade de Maria José foi um momento emocionante, pois representou a oportunidade de ouvir a história de luta e resistência da agricultora no Semiárido.

Para Manoel Belarmino, agricultor agroecológico e participante do evento, as oficinas de comunicação favorecem a construção de uma nova forma de fazer comunicação local, em que a comunidade utiliza-se de múltiplos meios e instrumentos para divulgar suas experiências.  "E isso contribui fortemente para o desenvolvimento das comunidades, pois ela se vê e é vista por outras pessoas", complementa.

Daniel Lamir, jornalista e comunicador da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), foi  um dos facilitadores do evento. Para ele "a oficina possibilitou um olhar sistêmico e instigante sobre a importância das pessoas contarem suas próprias histórias, em um contexto no qual a balança de discursos na agenda pública é bastante desigual. Além da agroecologia, a oficina aproximou as identidades de comunicação popular e convivência com o semiárido presentes nas instituições e movimentos sociais participantes, tendo a sistematização de experiências como fio condutor de todo o processo". 

Segundo ele, foram três dias em que a teoria e a prática caminharam juntas com proposições que, além de valorizar as boas experiências das organizações e coletivos participantes, abriu espaço para o desenvolvimento crítico e criativo na sistematização de experiências.

Balanço das ações – Desde o seu início, em 2014, a Embrapa, por meio do Projeto de Capacitação e Divulgação de Informações Tecnológicas em apoio à Inclusão Produtiva Rural no Plano Brasil Sem Miséria, liderado pela Embrapa Informação Tecnológica (Brasília, DF), no âmbito do Macroprograma 4, realizou oito oficinas de comunicação. Já participaram do processo de formação continuada cerca de 100 radialistas de emissoras parceiras do programa de rádio Prosa Rural e mais de 300 lideranças comunitárias, entre agricultores, extensionistas, comunicadores locais, jovens rurais e representantes de organizações não governamentais com atuação no Semiárido brasileiro. Participam do processo as Unidades: Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE), Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza, CE), Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral, CE), Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG).


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