OMC: Brasil usa carnes para barganhar com russos
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Agronegócio

OMC: Brasil usa carnes para barganhar com russos

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O Brasil vai endurecer o tom com a Rússia, em negociação bilateral na sexta-feira, em Genebra, sobre as condições da entrada de Moscou na Organização Mundial de Comércio (OMC). Para dar seu apoio ao acesso russa, Brasília vai retomar demandas de melhor acesso no setor de serviços, para suas exportações em áreas como construção civil, audiovisual, arquitetura e informática. O Brasil também condiciona seu acordo a uma significativa redução tarifária para suas exportações de 139 produtos, incluindo carnes, açúcar, enlatados, calcados e cigarros.

O Brasil aumenta as exigências, em uma gradual mudança de posição que reflete sua irritação com as dificuldades de acesso das carnes brasileiras na Rússia. Os brasileiros, como outros exportadores, não se conformam que Moscou tenha reservado grande parte de seu mercado aos exportadores de carnes de EUA e União Européia, prejudicando as vendas brasileiras aos russos.

Em recente reunião em Brasília, as autoridades russas ofereceram excluir limites para as exportações brasileiras de "hilton beef", ou seja, de carne de melhor qualidade. Só que esse tipo de produto é pouco vendido para o mercado russo.

Apesar do apoio político que o Brasil tem oferecido à entrada da Rússia na OMC, o fato é que na prática a situação vem mudando. E Moscou só pode entrar na entidade se for por consenso. Entrar na OMC é como se integrar a um clube: é preciso pagar a "jóia" de entrada - ou seja, fazer concessões. Em troca, Moscou terá melhor acesso aos mercados dos atuais 146 membros da entidade.

Na prática, o Brasil pode bloquear a demanda russa, até obter melhores concessões para suas exportações. Dificilmente os russos terão acesso este ano à OMC. Com a atual posição, será igualmente complicado obter a luz verde em 2005. Um dos problemas é que Moscou cometeu o erro de achar que podia resolver tudo negociando - e fazendo maiores concessões - com EUA e UE. Agora, descobre que os outros exportadores estão longe de aceitar as migalhas oferecidas por Moscou.


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