Opinião: Integração das tecnologias
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Agronegócio

Opinião: Integração das tecnologias

Atmosfera legal e institucional favorável à pesquisa realimenta alta da produtividade agrícola
Por:
Por *Anderson Galvão

Atmosfera legal e institucional favorável à pesquisa realimenta alta da produtividade agrícola

A produção agrícola brasileira aumentou mais de 100% nos últimos 20 anos, enquanto a área total plantada cresceu apenas 25%, o que se explica pelos ganhos de produtividade. Tal fato se explica pela adoção de melhores práticas de correção e fertilização dos solos; controle mais eficientes de pragas e doenças; genética convencional e biotecnologia; e gestão de processos.

Essas práticas contribuíram sobremaneira para uma agricultura mais eficiente no uso dos recursos financeiros e ambientais. A maior eficiência é indispensável diante dos desafios de alimentar o planeta nas próximas décadas, como bem enfatizado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU) e outras entidades internacionais.

As ações integradas proporcionam mudanças nos sistemas de produção, permitindo a maior oferta de alimentos em consonância com as práticas de preservação do meio ambiente. É imperativo olhar essa questão de maneira pragmática. A agricultura comercial, conduzida com padrões elevados de produtividade e qualidade, é parte central no desafio de prover de forma sustentável alimentos, fibras e biocombustíveis para todos os mercados.

As características agronômicas da primeira geração dos eventos transgênicos promoveram ganhos de produtividade e redução dos custos de produção. No Brasil, a sua área cresce em ritmo superior à área total plantada com soja, milho e algodão, que possuem variedades geneticamente modificadas aprovadas.

A área plantada com soja transgênica na safra 2010/2011 será de 20,8 milhões de hectares, correspondentes a 82,7% da área total prevista. Esse incremento é resultado do aperfeiçoamento constante das variedades geneticamente modificadas (GMs), cada vez mais bem adaptadas às diferentes regiões produtivas do País. Já o algodão GM ocupará 606 mil hectares, equivalentes a 39% da área plantada com a cultura.

No caso dos milhos híbridos GM, a taxa de adoção será de 64,9%, com a inclusão das safras de verão (4,5 milhões de hectares e taxa de adoção de 54% da área) e de inverno (4,6 milhões de hectares e taxa de adoção de 80,4%).

A cultura do milho é, de longe, o exemplo mais bem-sucedido da adoção da biotecnologia no Brasil: em quatro anos, ocupa mais da metade das terras cultivadas com o cereal. Esse ritmo rápido de adoção é reflexo dos benefícios que os híbridos transgênicos geram aos agricultores, permitindo-lhes competir em pé de igualdade no mercado internacional.

A adoção dos transgênicos também propiciou relevantes ganhos de produtividade nos campos cultivados com milho resistente a insetos, que podem ser bem maiores, por exemplo, se o solo já estiver corrigido.

Felizmente, o agricultor brasileiro dispõe de uma série de tecnologias, desde a genética até o controle fitossanitário das lavouras. Elas estão acessíveis no mercado, com custos competitivos e capacidade de adaptação às diferentes regiões e necessidades agrícolas. Essa combinação possibilita o atendimento do pequeno, médio e grande produtor rural. Tecnicamente, estas representam as ferramentas que permitem o aumento do cultivo e estimulam o crescimento econômico.

Na medida em que existe uma atmosfera legal e institucional favorável à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias, atores dos setores público e privado enxergam as condições de custos e benefícios adequadas que atendem às necessidades dos agricultores: produtos a um custo compatível com os resultados obtidos por meio de sua adoção. Esse ambiente deverá gerar um ciclo virtuoso que, em última instância, realimenta a curva de crescimento da produtividade agrícola. Tudo isso numa relação mais sustentável com os meios de produção.

*Anderson Galvão é sócio-diretor da consultoria Céleres e membro do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB)

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