Agronegócio

Opinião: Potenciais negócios do agro

por Roberto Rodrigues
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por Roberto Rodrigues

O agronegócio brasileiro está atento à evolução da economia dos Estados Unidos, assim como todos os setores potencialmente exportadores àquele país. - Com claros sinais de que ...O agronegócio brasileiro está atento à evolução da economia dos Estados Unidos, assim como todos os setores potencialmente exportadores àquele país.


Com claros sinais de que a dura crise de 2008 já ficou para trás, o crescimento daquele país no segundo trimestre deste ano correspondeu a uma taxa anualizada de 1,7%. Expressivo número de empresários brasileiros foi até Miami recentemente para encontrar-se com seus congêneres norte-americanos, com o objetivo de ampliar os laços comerciais, culturais e políticos entre os dois países. Representantes do Executivo e do Parlamento brasileiro, com uma pauta diversificada, como minérios, combustíveis, ferro, aço, máquinas, equipamentos de defesa e segurança, e, é claro, produtos do agronegócio também participaram do evento.

Este tem sido um setor fundamental para a Balança Comercial brasileira: no ano passado, o saldo do agronegócio foi de 79 bilhões de dólares, enquanto o total do Brasil foi de 19bi. De 2002 para 2012, a exportação do agro pulou de 25 para 96 bilhões.


Em agosto deste ano, nosso agronegócio teve um superávit de 8,7 bilhões de dólares, num total de 10,2 bilhões exportados. Com isso, o saldo da Balança Comercial brasileira no mês foi positiva em 1,2 bilhão. Mas no acumulado do ano, inclusive agosto, o saldo do agro foi de 57,7 bilhões, e o do país foi deficitário em 3,8 bilhões.

Os Estados Unidos são nosso segundo mercado como país individual, atrás apenas da China. Mas sua participação percentual vem caindo: em 2002, 17% das nossas exportações agro iam para lá. No ano passado, só 7%. Cresceram em valor absoluto, mas caíram no relativo.


Dois produtos se destacam neste momento nas potenciais exportações do nosso agronegócio para os Estados Unidos: etanol e suco de laranja.

Quanto ao etanol, há uma situação bastante singular: o nosso, de cana-de-açúcar, é considerado avançado pela Agência Ambiental Americana, o que nos confere condições de, por exemplo, cumprir a meta de 15% de mistura do álcool à gasolina naquele país, desde que ampliemos nossa produção do biocombustível. Mas hoje em dia, podemos aumentar muito pouco nossa produção com o parque instalado: a ausência de uma estratégia oficial para o setor paralisou os investimentos em novas destilarias; neste momento, não há nenhum "greenfield" em andamento no nosso país. Por outro lado, estamos na iminência de vivenciar um aumento no preço da gasolina, visto que os preços praticados são subsidiados pelo Governo, gerando enorme prejuízo à Petrobras. Se isso ocorrer, haverá retomada dos investimentos no setor, embora o resultado deles só seja colhido em 3 a 5 anos.

Portanto, um acordo entre os dois países para o aumento das nossas exportações aos Estados Unidos precisaria estar sendo costurado desde já. E seria um programa conjunto de longo prazo.

Sobre o suco da laranja, a produção brasileira vem caindo em função de vários fatores: o consumo mundial declinou pelo surgimento de bebidas alternativas (sucos de outras frutas, a H2O) levando a redução de preços e gerando prejuízos com produtos, e pelo aumento de custos, com o surgimento de novas doenças dos laranjais.


Mas a produção americana também caiu, por motivos parecidos e mais os climáticos, o que permitiu o aumento das nossas exportações. Em agosto passado, exportamos 30% a mais que em agosto de 2012, cerca de 155 mil toneladas.

Os Estados Unidos são o 2º maior mercado para nosso suco, atrás apenas da União Europeia, e o potencial para crescer é enorme. Para isso, é preciso flexibilizar as tarifas de importação americanas que incidem sobre nosso suco, inviabilizando o projeto a longo prazo.

Só estes dois produtos, tratados com cuidado pelos dois países, permitiriam grande aumento de nossas exportações, sem falar em carnes, açúcar, derivados de soja e outros mais.

Mas é preciso negociar muito...

Roberto Rodrigues é ex-ministro da Agricultura, Coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e presidente do Lide Agronegócios
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