Opinião: Sofisticar produto e driblar gargalo são desafios

Agronegócio

Opinião: Sofisticar produto e driblar gargalo são desafios

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por Marcos Sawaya Jank (*)
 
Especial para a Folha
Jornal “Folha de São Paulo”
Caderno Especial sobre Centro-Oeste, 23/06/2014, Opinião

 
Berço da revolução agropecuária, Centro-Oeste tem de enfrentar entraves para internacionalizar produção
 
A região Centro-Oeste foi o berço da maior revolução agropecuária do planeta nos últimos 50 anos. Graças ao desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições tropicais dos cerrados, o Brasil ocupou o primeiro lugar mundial em ganhos de produtividade total da agricultura: 3,4% ao ano nas duas últimas décadas. Exemplos de tecnologias que floresceram neste período são as novas variedades de soja, o plantio direto – que teve extraordinário impacto conservacionista ao eliminar a aração dos solos –, a introdução da segunda safra no mesmo ano agrícola sem irrigação e a integração lavoura pecuária-floresta.


Inicialmente o desenvolvimento do agronegócio no Centro-Oeste se deu em cima do binômio soja-boi, com destaque para a melhoria do gado zebu e do capim brachiaria. Com o tempo, a valorização das terras incentivou a intensificação e a diversificação agrícola, com o crescimento da produção de milho, arroz, algodão, café, cana-de-açúcar e eucalipto. Na pecuária, vieram o leite, os suínos e as aves. Hoje são mais de dez atividades disputando o uso da terra, formando um sistema integrado de produção de alimentos, rações, fibras e bioenergia reconhecidamente eficiente tanto na produção primária como no processamento agroindustrial.

Há, porém, pelo menos dois desafios a serem vencidos pelo agronegócio do Centro-Oeste. O primeiro deles tem recebido bastante atenção, mas os resultados ainda demoram a aparecer. Desde 2000, a safra brasileira de grãos dobrou de tamanho, mas a logística praticamente nada mudou. O custo de transporte de grãos, que representa de 10% a 15% do valor do produto nos nossos concorrentes, pode ultrapassar aqui 40% do valor.


O outro desafio é a adição de valor nas cadeias agroindustriais. O principal produto exportado pelos Estados da região é a soja, que roda 2.000 km de caminhão em estradas precárias para chegar aos portos congestionados no Sul, ser embarcada em navios pequenos, atravessar o mundo e virar farelo de soja para alimentar suínos e aves na China. Com o sucesso recente do milho de segunda safra, não há dúvida de que o Brasil vai se firmando como o maior "player" global da ração animal. Porém, essas duas commodities valem menos de US$ 500 por tonelada. Esse valor poderá ser de quatro a dez vezes maior se exportarmos carnes ou lácteos, o que inclusive mitigaria o problema do custo do frete terrestre.

Ocorre que nossas commodities agropecuárias chegam a mais de 200 países, mas pouco sabemos sobre o que ocorre entre os portos e o consumidor final no exterior. Nossa experiência de adição de valor nas cadeias globais do agronegócio é extremamente limitada. Restringe-se a poucas marcas internacionais e não temos quase nenhum domínio dos canais de distribuição e consumo fora do Brasil.


Há um jogo muito mais sofisticado a ser enfrentado. Em vez de apenas entregar commodities nos portos brasileiros, temos hoje oportunidades fantásticas para, de um lado, agregar valor aos produtos exportados e, do outro, internacionalizar nossas empresas, dominando canais de logística e posicionando marcas brasileiras no exterior.
 
Na área de suínos e aves, dominamos um sofisticado sistema de produção que começa na genética dos animais, passa por milhares de produtores integrados às indústrias de processamento e avança no exterior com o domínio de canais de distribuição e marcas que chegam a milhões de consumidores.


É hora de usar a experiência e a competitividade do Brasil para avançar nas grandes cadeias globais de valor do agronegócio mundial. A região Centro-Oeste tem as melhores credenciais para se posicionar no centro deste tabuleiro novo e desafiador.
 
(*) Marcos Sawaya Jank é diretor-executivo global de Assuntos Corporativos da BRF. Ex-presidente da Única, Jank é doutor em administração pela USP com tese sobre competitividade do agribusiness do país. 
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