Oposição se articula para enfrentar Sperotto

Agronegócio

Oposição se articula para enfrentar Sperotto

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Duas chapas devem concorrer à presidência da Farsul no pleito que acontece em outubro. Inscrições terminam na quarta-feira

PATRICIA MEIRA

Termina na quarta-feira o prazo para a inscrição de chapas à eleição da nova diretoria da Farsul, que assumirá em janeiro de 2010, com mandato até 2012. Se nada mudar nos próximos dias, haverá oposição. A articulação para interromper 12 anos de comando do presidente Carlos Sperotto, no cargo desde 1997, resultou em chapa que terá como candidato Armando Roos, ex-prefeito de Não-Me-Toque. O vice será definido amanhã, na Capital, mas deverá ser da Metade Sul, com perfil executivo. A atual diretoria também definirá seus nomes em cima do laço, e Sperotto é o candidato natural neste momento. Uma chapa de consenso não é descartada, embora ninguém cogite abrir mão do comando.
Além de questionarem um quinto mandato consecutivo, os opositores defendem modificações estruturais que democratizem a Farsul. Se eleitos, pretendem colocar em votação a modificação do estatuto, permitindo apenas uma reeleição. "A experiência nos diz que o poder prolongado cria vícios. A Farsul precisa de um choque de gestão, administrativa e política, e isso só se faz com mudança de cabeças", diz Roos, que aposta no apoio de lideranças de peso em cooperativas e entidades. Além disso, ele argumenta que o cargo requer dedicação integral e Sperotto acumula a presidência do Senar e funções na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Recuperando-se de uma úlcera, Sperotto considera o desgaste natural e lembra que a modificação do estatuto que permite sucessivas reeleições foi aprovada na época por ampla maioria no conselho, composto pelos sindicatos, e não foi decisão sua. Liderança política expressiva no cenário nacional, com trânsito entre ministros, e figura atuante em conquistas, como a renegociação das dívidas e a erradicação da febre aftosa no Estado, ele acredita que mudança de diretoria agora prejudicaria ações e projetos em andamento. "Para quem pratica atos e ações, está na linha de frente, sempre existirá desgaste. Agora tem que se pesar quais foram os avanços que estas posições garantiram." Sperotto afirma que o acúmulo de funções não interfere no funcionamento da Farsul, que tem sólida equipe para manter o trabalho.
Citado como apoiador da oposição, o secretário da Agricultura, João Carlos Machado, alega que nem ele, nem o governo tomarão partido. "Sou neutro. Seja quem for o vencedor teremos uma convivência estreita. É uma decisão de classe." A campanha ainda não começou, mas tanto Roos quanto Sperotto prometem não transformar a Expointer em guerra eleitoral. A intenção é limitar o corpo-a-corpo a antes e depois da mostra, de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio, e que reúne milhares de produtores rurais.
Se a disputa se confirmar, será um novo teste para Sperotto, que em 2006 venceu José Pires Weber por uma confortável margem. Hoje, presidente da Associação Nacional de Criadores, Weber diz que o descontentamento cresceu desde que foi derrotado.


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