Os confrontos continuam na OMC


Agronegócio

Os confrontos continuam na OMC

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O confronto entre países exportadores e protecionistas agrícolas prosseguiu ontem na Organização Mundial de Comércio (OMC). As posições continuam totalmente antagônicas entre as principais forças da negociação - Brasil, Estados Unidos, Austrália, União Européia, Japão.

Hoje, o mediador agrícola, Stuart Harbinson, tentará nova reunião com os principais países. Na segunda-feira a noite, depois de uma hora e meia de encontro reservado, constatou-se que os ataques eram literalmente opostos sobre o esboço do novo acordo para o comércio agrícola mundial.

A expectativa é de que na semana que vem Harbinson apresente um novo texto sobre as modalidades da negociação, para aprovação até 31 de março, conforme o prazo estabelecido. No entanto, mais e mais negociadores acreditam que não se chegará a consenso antes da conferência ministerial da OMC prevista para setembro em Cancun (México).

Para o Brasil e outros exportadores, está claro que não se pode assegurar resultado equilibrado dentro da negociação agrícola. Se houver a liberalização, a vantagem comercial será para os exportadores como o Brasil, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e outros, e não para os protecionistas. No entanto, a UE e o Japão insistem em querer arrancar resultado equilibrado dentro da própria negociação agrícola, ao invés de buscar o equilíbrio na negociação global.

Resultado equilibrado

O embaixador Waldemar Carneiro Leão, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, bateu duro também na idéia de que os EUA e a UE obtenham "resultado equilibrado" em torno dos subsídios internos, pelos quais transferem bilhões de dólares para seus agricultores.

"A negociação não é sobre equilíbrio e sim sobre redução dos subsídios", enfatizou o representante brasileiro. O risco é de que essa discussão induza norte-americanos e europeus a fazerem um acordo entre eles sobre os subsídios internos, como ocorreu no famoso Acordo de Blair House durante a Rodada Uruguai.

Para negociadores do Grupo de Cairns, até agora o que a UE propôs pode fazer dentro da Política Agrícola Comum (PAC) atual. Significa que Bruxelas quer que a OMC de fato espere depois de 2007 pela reforma da PAC e se adapte a esta.

As negociações duram toda a semana. O lado positivo é que o texto inicial de Harbinson, esboçando o novo acordo agrícola, apesar de bombardeado por todo mundo, vem obtendo um princípio de legitimidade, a partir mesmo de sua discussão em plenário.


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