Pacote de mecanismos ainda não reflete nos preços do arroz

Agronegócio

Pacote de mecanismos ainda não reflete nos preços do arroz

Com colheita iniciada no RS, pressão nas cotações é maior
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Nem mesmo o anúncio da compra imediata de 88 mil toneladas de arroz no Rio Grande do Sul, na última quinta-feira (10), e de R$ 313 milhões para 380 mil toneladas em AGFs e 1,02 milhão/t foi suficiente para aquecer o mercado, que segue em queda

A demora entre o anúncio e a operacionalização dos mecanismos de comercialização divulgados na semana passada pelo governo federal, juntamente com o início da colheita de uma possível safra recorde e cotações há 90 dias nos patamares mais baixos dos últimos anos, seguem pressionando o valor de mercado do arroz no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.


O Indicador de Preços do Arroz em Casca ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BVM&F, aponta uma queda de 0,3% no preço da saca do cereal em casca (50kg) no Rio Grande do Sul em fevereiro, com referência de R$ 22,06 para o produto (58x10) colocado na indústria na quinta-feira (10/2). No mercado livre, a Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica média de R$ 21,60 para o produto nas praças gaúchas.

Nesta quinta-feira, o governo federal anunciou a compra imediata de 88 mil toneladas, das 360 mil anunciadas, por AGFs, enquanto o PEP só deve ter edital de leilão anunciado na próxima semana, se a portaria interministerial que regulamenta as operações for publicada a tempo. Essa demora na operacionalização das medidas anunciadas pelo governo federal – de R$ 313 milhões para movimentar 1,38 milhão de toneladas em AGFs e PEP – está interferindo negativamente nos preços. Até segunda-feira, o impacto das medidas já havia feito as cotações do Indicador Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BVM&F, subirem 0,7%, alcançando média de R$ 22,15/50kg.

O início da colheita em alguns pontos do Rio Grande do Sul, como a Depressão Central e a Fronteira Oeste, também gera um fator psicológico importante pressionando negativamente as cotações. Afinal, vem aí uma safra estimada em mais de 8 milhões de toneladas pela Conab, um recorde produtivo no Rio Grande do Sul. Se levar em conta Santa Catarina, Argentina e Uruguai serão 12 milhões de toneladas concentrados no Sul, sem contar os estoques remanescentes.


Esta situação leva para uma instabilidade na região. Apesar das tratativas entre Federarroz, Farsul e Irga com o governo federal, uma série de produtores insatisfeitos – e não é para menos, diante dos preços e custos de produção atuais – começa a se mobilizar para realizar manifestações exigindo medidas mais contundentes. A obviedade das ações paliativas do governo federal reforça essa posição.

Os produtores querem mecanismos que realmente façam a diferença nas questões estruturais da produção e comercialização do arroz. A começar pela tributação de insumos e do próprio arroz, que deveria ser reduzida no Rio Grande do Sul, medidas de efetivo e eficiente apoio à exportação e restrições à livre importação do Mercosul. Alguns segmentos já defendem o estabelecimento de cotas que limite a 600 mil toneladas/ano, ou menos, os ingressos do Mercosul.


A expectativa é de que a entrada mais efetiva da compra de arroz pelos AGFs - 380 mil toneladas - e leilões de PEP – neste caso estima-se em algo como 100 mil por mês, diante das 700 toneladas vendidas pelo RS/no mês – movimentem o mercado de forma aos preços alcançarem o mínimo de referência de R$ 25,80. Todavia, a indústria dificilmente conseguirá repassar este valor na ponta, e enfrentará dificuldades com o concentrado varejo brasileiro. No frigir dos ovos, há arroz importado chegando mais barato na ponta.


ABERTURA

De qualquer maneira, a 21ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, de 24 a 26 de fevereiro, em Camaquã (RS), promete ser um evento extremamente politizado e de tomada de decisões, que concentrará milhares de arrozeiros e autoridades estaduais e federais. A programação do evento prevê palestras, painéis e reuniões que abordam os principais temas setoriais, principalmente preços e custos de produção e deverá produzir um documento que será a base da negociação dos arrozeiros gaúchos – em alguns casos representados pelo governador Tarso Genro – com o governo federal. O câmbio, desfavorável às exportações e atraente para as importações, também será tema de debates.

Por ora, as cotações estão longe de alcançar os preços mínimos, considerando que a média internacional histórica de preços entre 10 e 12 dólares, representaria no Brasil algo entre R$ 16,50 e R$ 20,00 por saca. Pela cotação desta quinta-feira, uma saca de arroz brasileira estava valendo 13,2 dólares, valorizando 0,5% em fevereiro, muito acima do mercado internacional. Na primeira semana de janeiro, uma saca de arroz, pela mesma cotação, valia 14,01 dólares. É preciso mudar muito, e na estrutura tributária e econômica, para que as cotações evoluam. A menos que haja uma catástrofe em algum lugar do mundo e a demanda por arroz aumente consideravelmente. O que, com os grandes produtores e consumidores mundiais ampliando os estoques, não deve acontecer.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica cotação de R$ 21,60 para a saca de 50 quilos de arroz em casca no Rio Grande do Sul e R$ 50,00 para o produto beneficiado em saco de 60 quilos. A quirera (60kg) é cotada a R$ 25,00 e o canjicão (60kg) em 31,00 (FOB RS). A tonelada do farelo de arroz vale R$ 250,00 FOB, ou R$ 280 CIF (em Arroio do Meio-RS).

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