País vai contestar subsídios concedidos pelos Estados Unidos

Agronegócio

País vai contestar subsídios concedidos pelos Estados Unidos

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O Brasil, o segundo maior produtor mundial de soja, utilizará as conversações sobre comércio mundial para pressionar os Estados Unidos a reduzir os US$ 11 bilhões em subsídios anuais concedidos para proteger os agricultores americanos contra quedas dos preços, disse o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

O Brasil pedirá a países em desenvolvimento, como a China, para tornar a eliminação de alguns subsídios americanos à produção agrícola um dos temas principais das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), a serem realizadas em Hong Cong em dezembro que vem, disse Rodrigues. A decisão da União Européia, tomada em 2004, de eliminar um programa de subsídios agrícolas no valor de US$ 46 bilhões deveria servir de exemplo para os EUA, disse ele.

"Discutiremos alguns tópicos para a pauta da reunião de Hong Cong, entre os quais os subsídios dos EUA", disse Rodrigues.

O Brasil, a maior economia da América do Sul, é o maior produtor e exportador mundial de café, suco de laranja e açúcar e fica em segundo lugar do ranking mundial de produção e exportação de soja, atrás dos EUA. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende tirar proveito dos custos de produção relativamente mais baixos no Brasil e das áreas ainda disponíveis para cultivo para aumentar a participação do país no mercado mundial de exportação de alimentos.

No ano passado, o Brasil obteve decisões favoráveis da OMC, que determinaram que os subsídios dos EUA a seus produtores de algodão e o auxílio financeiro da Europa a seus produtores de açúcar eram ilegais ou violavam as normas de comércio. Lula está liderando os esforços entre os países em desenvolvimento para poder competir com mais eficiência no mercado mundial ao tentar obter cortes nos US$ 300 bilhões de auxílio financeiro anual que a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) diz ser concedido aos produtores agrícolas pelos governos de nações industrializadas.

Os produtores agrícolas americanos consideram as exigências do Brasil injustas, pois o governo Lula auxilia os agricultores brasileiros com empréstimos a juros baixos e outros tipos de benefícios, disse Ron Heck, presidente do conselho da Associação Americana de Soja e produtor que cultiva milho e soja em uma área de 1.456 hectares em Iowa.

"Eles estão tentando dizer que tudo que os EUA fazem está errado e que tudo que eles fazem está certo", disse Heck.

O Brasil tem 140 milhões de hectares de pastos e terras não-cultivadas que poderiam se transformar em fazendas, mais do que o dobro da área plantada atual.

Além disso, a terra no Brasil custa menos do que nos EUA, disse David Kruse, que cultiva 260 hectares em Iowa e possui terra no Brasil. "O preço da terra no Brasil é de cerca de US$ 25 por hectare e, em Iowa, de US$ 346 por hectare", disse Kruse.


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