Paraná deve implantar vazio sanitário ainda este ano

Agronegócio

Paraná deve implantar vazio sanitário ainda este ano

A Ocepar estima economia de R$ 160 milhões com a instalação do programa
Por: -Giuliano
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O colegiado do Conesa (Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária) aprecia e deve aprovar na reunião a ser realizada na próxima segunda-feira (18-06) a proposta do Grupo de Trabalho para a implantação do vazio sanitário do Paraná. Se aprovada, a proposta será transformada em resolução pelo secretário da Agricultura e deve entrar em vigor ainda nesta safra. “A implantação a partir desta safra tem por objetivo o aprendizado por todas as partes envolvidas, inclusive os agricultores, para orientação e ajustes”, afirmou o representante da Ocepar no Conesa, o gerente Técnico e Econômico Flávio Turra.

Na reunião da diretoria realizada nessa terça-feira (12-06), em Curitiba, a Apasem (Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas), apoiou o esforço conjunto das instituições ligadas ao setor produtivo visando a implantação do vazio sanitário. Os membros da diretoria conheceram, durante a reunião, detalhes da proposta do programa de controle a ser implantado pela Secretaria da Agricultora. O presidente da Apasem, Almir Montecelli, afirmou que os produtores de sementes darão apoio total à implantação do controle da doença (Phokopsora pachyrhizi) através da extirpação de soja guaxa (resultado de sobra de cultura ou perdas no transporte). “Isso vem reduzir o custo de produção da soja, beneficiando os produtores”, frisou Montecelli.

O vazio sanitário, que prevê a erradicação das culturas hospedeiras do fungo Phokopsora pachyrhizi, deve ocorrer entre 15 de junho a 15 de setembro. Nesse período não será permitido ter nenhuma lavoura ou sobra de lavouras. Os produtores ficarão com a responsabilidade de erradicar as culturas de suas propriedades e as autoridades responsáveis pelas vias públicas, rodovias e ferrovias, pela erradicação das plantas hospedeiras nas margens dessas vias. A fiscalização cabe à Secretaria da Agricultura, com apoio das demais instituições envolvidas no programa (Ocepar, Faep, Apasem, cooperativas, prefeituras municipais, etc).

A Gerência Técnica e Econômica da Ocepar estima em R$ 160 milhões, no mínimo, a economia dos agricultores com a implantação do programa, considerando que haverá a redução de pelo menos uma aplicação de fungicida para controle de doença no Paraná. Esse valor foi estimado com base no custo médio de controle da doença, que é de R$ 65,00 por hectare. O Paraná plantou, na última safra, 3,94 milhões de hectares de soja. “Hoje os agricultores fazem duas aplicações de fungicidas para controlar a doença. O custo total sobe a R$ 620 milhões, o que representa cerca de 8% do custo de produção da soja”, afirma o analista econômico da Ocepar Robson Mafioletti.

Mato Grosso:

O vazio sanitário já está implantado ou em fase final de implantação em cinco Estados, entre os quais Mato Grosso, onde o programa foi considerado um sucesso pois houve uma redução de quatro para duas aplicações para controle da doença. “Parte da redução deve-se a uma safra com clima mais favorável ao controle da doença, com menor umidade, mas com certeza deve-se também ao vazio sanitário”, considera Robson Mafioletti.

A safrinha da soja também vai receber o impacto do programa, pois os agricultores terão que fazê-la antes de 15 de junho. Atualmente o Paraná planta cerca de 75 mil hectares de soja na entressafra, ou menos de 2% da safra normal. Com a implantação do programa, prevê-se aumento da procura por sementes de soja de variedades mais precoces, pois quanto menos tempo a soja permanecer verde, menos a chance do fungo se alojar nas lavouras.

A soja é a principal cultura hospedeira do fungo Phokopsora pachyrhizi. Há outras, de menor impacto, como o kudzu. Após a extirpação das plantas hospedeiras através de métodos mecânicos ou químicos, o fungo sobrevive no máximo 12 dias. O vazio sanitário de 30 dias, período sem cultura das plantas hospedeiras, foi definido pelas instituições de pesquisa e é o mesmo nos demais Estados, variando apenas a data de início e término, de acordo com a época do plantio. As informações são da assessoria de imprensa da Ocepar.


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