Parceria Brasil-ONU avalia desafios da agricultura familiar na África
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Agronegócio

Parceria Brasil-ONU avalia desafios da agricultura familiar na África

Grande agricultura pode ser a solução para a produção de alimentos em larga escala
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“As políticas para a agricultura familiar precisam chegar ao continente africano com competência superior ao que foi praticado em experiências anteriores”, disse Rômulo Paes, diretor do Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Centro Rio+), em Adis Abeba, na Etiópia, no início da semana.

Em visita ao país africano a convite do governo brasileiro, Rômulo participa da terceira edição do Seminário Internacional do projeto de cooperação PAA Africa (Purchase from Africans for Africa, Comprar dos Africanos para a África), que durou a semana toda. O projeto parte do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) brasileiro, na troca de experiências com o continente africano.

“A urgência alimentar, econômica e social no continente, onde atualmente estão concentrados os maiores estoque de terras agricultáveis do mundo, requer a atenção dos gestores públicos para o trabalho que está pela frente”, afirmou Rômulo Paes, destacando que o contexto africano oferece riscos e potencialidades.

“Muitos acreditam que o modelo de ‘Plantation’, isto é, da grande agricultura, é a solução para a produção de alimentos em larga escala. Isso é verdade no caso de commodities como soja, algodão e cana-de-açúcar. Mas a realidade em países como o Brasil mostra que é a agricultura familiar que realmente alimenta populações de amplitude quase continental.”

No início de maio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na África para compartilhar as experiências brasileiras em programas sociais e de combate à fome. Na Angola, durante o seminário "Experiências do Combate à Fome e à Pobreza em Angola e no Brasil", Lula disse que a fome leva à submissão, "porque quem tem fome não tem força pra brigar."

"Antes de mim, muita gente muito sabida governou o Brasil, gente que tinha muitos diplomas (...) mas o pobre continuava sendo tratado como apenas uma estatística. Já se dava como certo que 35% [da população] tinha que ter quase tudo e o restante tinha de ser pobre," disse o ex-presidente. Veja a seguir o vídeo do seu discurso.

Tempo para ganhar escala

O diretor do Centro Rio+ chamou a atenção para o fato de que políticas de incentivo à agricultura familiar, como programas de aquisição de alimentos, precisam de tempo e empenho dos gestores públicos.

“Há uma dificuldade de se conseguir escala em um primeiro momento, porque a necessidade do beneficiado do programa é diferenciada e precisa de uma abordagem específica. Isso implica em trabalhar em um período de consolidação do modelo sem se obter a escala adequada para o atendimento de uma população mais ampla.”

De acordo com Rômulo Paes, nem sempre o problema está na falta de assessoria técnica para se aumentar a produtividade. É preciso oferecer também mecanismos de acesso ao mercado e a insumos, como água, sementes de qualidade e crédito.

O PAA Africa foi idealizado em 2010 pelo governo brasileiro, países africanos e organizações internacionais para discutir a cooperação entre Brasil e África em segurança alimentar e desenvolvimento rural. Já o Centro Rio+ foi criado pelo Brasil e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em maio de 2013.


*Com informações das Nações Unidas

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