Pecuária mato-grossense quer juros subsidiados
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Agronegócio

Pecuária mato-grossense quer juros subsidiados

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Os pecuaristas mato-grossenses apóiam o projeto do governo do Estado em relação ao crédito para as áreas do bioma amazônico, mas defendem financiamentos com juros subsidiados para a recuperação de áreas degradadas e sua reincorporação ao processo produtivo. “O setor pecuário ainda está descapitalizado, apesar da recuperação dos preços da arroba do boi este ano. É preciso que o governo federal faça o custeio pecuário a longo prazo e com juros subsidiados”, afirma o diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR), Paulo Resende.

Ele pondera que não é preciso fazer a abertura de novas áreas, “mas uma recuperação segura, com sustentabilidade do pasto”. Para Resende, ninguém pensa em expandir áreas. “Na verdade o produtor quer ocupar o que já está aberto e, para isso, é preciso investimento para a recuperação das áreas a longo prazo para que ele tenha tempo de recuperar, plantar e produzir”.

O pecuarista e ex-presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Jorge Pires, também defende a criação de uma linha de crédito especial para a recuperação de áreas degradadas. “Com este programa poderíamos expandir o rebanho e aumentar a nossa capacidade de produção de carnes”, sustenta.

O diretor executivo da APR diz que apesar da recuperação dos preços do boi, os produtores ainda estão descapitalizados. “O empobrecimento da pecuária foi muito grande nos últimos cinco anos e, por isso, não pudemos fazer investimentos nenhum”.

O vice-presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Estado (ACN/MT), pecuarista José João Bernardes, admite que os preços pagos atualmente ao produtor são remuneradores, “porém esta rentabilidade ainda não se traduziu integralmente em investimentos porque o setor está descapitalizado e esses recursos serão para pagar dívidas”.

Na avaliação de Bernardes, o rebanho mato-grossense deve se recuperar “não via abertura de novas áreas, mas utilizando-se de melhor tecnologia, com maior adubação, melhor manejo e genética mais avançada, buscando-se o aumento de produtividade no espaço já aberto”.

O presidente do Fundo de Apoio à Bovinocultura de Corte (Fabov), Júlio Rocha, lembra que é preciso trabalhar a melhoria das pastagens, adubação, calagem, manejo e rastreabilidade do rebanho. Ele diz que os preços “estão confortáveis”, mas os produtores não podem abrir novas áreas. “Temos de produzir mais nas áreas disponíveis. E isto vai demandar investimentos e acesso a novas tecnologias”.

Para Júlio Rocha, o momento ainda exige cautela porque muitos produtores estão descapitalizados e vão precisar de crédito. “As linhas disponíveis como FCO e BNDES, são muito caras e os prazos não são compatíveis com a atividade pecuária, que é de ciclo mais longo. Temos de ajustar as linhas a taxas menores e prazos mais dilatados”.

CUSTOS – Ele diz que os custos são elevados e variam de propriedade para propriedade, conforme sua localização e nível de tecnologia aplicado. Os estudos apontam que os custos com manejo sanitário (medicamentos, vacinas), manejo nutricional (pastagens, suplementos alimentares), insumos (arames, adubos, sementes), combustíveis e mão-de-obra ficaram acima da valorização da arroba. “Neste cálculo não consideramos os custos financeiros da propriedade, que agregam a terra, os investimentos em gado e instalações”, lembra.


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