Pecuaristas de Mato Grosso passam por uma fase negra

Agronegócio

Pecuaristas de Mato Grosso passam por uma fase negra

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O pecuarista brasileiro enfrenta uma crise que começou no início de 2003 e se agrava a cada dia. A reclamação é unânime: insumos com preços altos e arroba do boi em queda constante. Mas, apesar disso, o criador continua investindo na melhoria da qualidade da carne e do rebanho. “Tivemos um salto gigantesco de qualidade, quantidade, genética e sanidade nos últimos 20 anos”, afirma o pecuarista e presidente da Associação dos Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR), Ricardo Borges de Castro Cunha.

Em três anos, o rebanho de Mato Grosso registrou crescimento anual de 12%, ou seja, um aumento de cerca de 2,5 milhões de cabeças por ano, levando em consideração um rebanho total de cerca de 25 milhões de animais. “Temos atualmente, a pecuária mais tecnificada e moderna do País. Mesmo com todas as dificuldades damos provas da nossa competência e seriedade. A inseminação artificial e a transferência de embriões já são realidades nas fazendas mato-grossenses", resume Cunha.

Mas na hora de receber por essa qualidade, o produtor rural está encontrando dificuldades. O pecuarista Antonio Carlos Carvalho, que atualmente ocupa postos de liderança no setor, conta que em 1999 vendeu bezerros por R$ 310,00 e em 2004 vendeu animais com a mesma idade e filhos das mesmas vacas da remessa de 1999 por R$ 280,00. "Isso sem falar no aumento de preços de insumos que, pelos meus cálculos chegou a 200%. O custo de produção está muito alto", reclama.

Além do preço baixo da arroba do boi, os frigoríficos de Mato Grosso estão com escala de até 20 dias “Isso prejudica ainda mais o pecuarista que só recebe 30 dias depois que entrega o boi no frigorífico”, destaca o diretor executivo da Associação de Proprietários Rurais de Mato Grosso (APR-MT), Paulo Resende. “Não podemos esquecer dos encargos e impostos que pagamos sobre o nosso produto, o que também não é barato. Além disso, se o criador quiser receber na hora tem que pagar cerca de 9% de encargos”, explica o presidente do sindicato rural de Cáceres, Amarildo Merotti.

Castro Cunha aproveita para especificar alguns dados de sua planilha de preços pessoal e mostra a desvalorização da arroba do boi. Segundo ele, o arame, fosfato bicálcio, doses de vacinas e óleo diesel, são os principais insumos para o desenvolvimento da atividade pecuária e todos registraram alta de cerca de 20% em 2004. Neste mesmo período, o valor da arroba de carne reduziu 9% nos últimos quatro anos, saindo de uma média de R$ 60, para atuais R$ 53 e R$ 54. “O litro do óleo diesel passou de R$ 1,58, em novembro de 2003, para R$ 1,80, em agosto de 2004, uma majoração de 13,9%. Já a dose de vacina, contra Febre Aftosa aumentou de R$ 0,80 para R$ 1,00 nestes últimos 12 meses.

O presidente da APR-MT vai ainda mais longe: “Um vermífugo, por exemplo, passou de R$ 140 para R$ 142, isso significa que teve um aumento de 1,43%. Outro exemplo é o fosfato bicálcio, matéria-prima importante para composição da mistura com o sal mineral, este produto registrou um aumento de 19,9%, no mesmo período, passando de R$ 703,00 a tonelada (t), para R$ 844,00/t”,especifica.

Cunha frisa que computando também a alta do herbicida (14,2%) e do arame liso (16,4%), todos os insumos acumulam uma média de aumento de 20%, nestes nove meses. Na contramão, a arroba do boi para pagamento em 30 dias, despencou 6,7% e a arroba com pagamento à vista, apresenta decréscimo de 15,6%.


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