Percevejo castanho provoca queda de produtividade na soja

Agronegócio

Percevejo castanho provoca queda de produtividade na soja

Por:
130 acessos

Diferente da maioria de pragas e insetos que causam milhões de reais em prejuízos todos os anos nas lavouras brasileiras – seja pela queda na produtividade, seja pela necessidade de investimento em defensivos – o percevejo castanho tem hábitos bastante particulares que dificultam o seu combate. Durante todo o ciclo de vida, ele vive embaixo da terra e ataca a raiz, sugando os nutrientes e enfraquecendo a planta. Os prejuízos dependem da incidência do inseto, mas a queda na produtividade pode chegar a até 80%.

Em função da particularidade da praga, o coordenador regional da Emater em Uberaba, Willy Gustavo de la Piedra Mesones, explica que o combate é muito difícil. No mercado ainda não há inseticidas que acabem ou mesmo reduzam, com eficácia, a incidência nas lavouras. "A aplicação de granulados precisa ser feita antes do plantio, o que, mesmo assim, não garante a eficácia no combate", completou.

Além do hábito subterrâneo, o percevejo ataca as plantas mesmo quando ainda estão na fase de ninfas. Quando adultos, possuem uma coloração marrom e atingem até sete milímetros. Em ambas as fases, eles se alimentam das raízes e sugam a seiva, o que enfraquece a planta, acarretando um baixo desenvolvimento e queda brusca na produção. As folhas, no caso da soja, tendem a ficar amareladas e murchas. Outro indício de que o inseto está presente na lavoura é o cheiro desagradável que ele libera. "O problema é que nesse ponto (quando o amarelo nas folhas se torna evidente), o controle é praticamente impossível", destacou Willy Gustavo.

Existem registros de ocorrência do percevejo castanho em todas as regiões do Brasil, mas ele é mais comum nas terras de cerrado. Além da soja e do milho – este em menor proporção –, a praga ataca também a cultura de algodão. No ano passado, no município de Itiquira (MT), foram registradas perdas na cotonicultura de até 100% em algumas propriedades.

Na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, há três anos não há registro da praga. Mesmo assim, o coordenador da Emater adverte que é bom ficar atento. "Isso não significa que as lavouras estejam livres da ameaça." O órgão está monitorando as propriedades, uma vez que ainda não há um fato externo que se relacione com o surgimento, ou não, da praga. Não há como prever se as propriedades enfrentarão problemas ao longo da safra 2004/05.

Problema:

Por dois anos seguidos, em 2000 e 2001, o produtor de soja e milho Fernando Leite Ferraz sentiu as conseqüências do ataque do percevejo castanho na lavoura. Os prejuízos maiores foram registrados na lavoura de soja, que registrou uma queda na produtividade de até 60% nas áreas onde houve o ataque da praga. Segundo ele, o prejuízo só não foi maior porque houve a incidência do percevejo em apenas 20% da área plantada, que era de 800 hectares.

Durante as duas safras, foram feitos vários combates com diferentes tipos de inseticidas, mas os resultados foram muito acanhados. "Tentamos alguns controles, mas não foram efetivos, porque como é uma praga de solo, muito pouco se sabe sobre ela", destacou o produtor. Segundo Fernando Ferraz, após os dois anos de incidência, a praga deixou de atacar a lavoura sem uma causa definida.

Percevejo-Castanho:

Características do bicho: O percevejo adulto atinge até sete milímetros de comprimento. As patas anteriores são modificadas e adaptadas para escavação e as posteriores possuem fortes cerdas e espinhos. As formas jovens são de coloração marrom-clara. Tanto os adultos como as ninfas têm hábitos subterrâneos e sugam a seiva das raízes. Durante a noite, adultos podem migrar de um campo para outro através do vôo.

Importância econômica:

Os danos causados pelo percevejo castanho resultam da sucção de seiva, o que provoca perdas de vigor das plantas e redução significativa na produção. Sintomas do ataque: Nas áreas infestadas se observam reboleiras de plantas com folhas murchas e amarelas. Em casos extremos pode causar a morte das plantas atacadas.

Métodos de controle: não há muitos recursos, mas o controle deve ser feito com o tratamento do solo com inseticidas granulados.


Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink