Peru, chester e pernil: do campo para as ceias de fim de ano

Agronegócio

Peru, chester e pernil: do campo para as ceias de fim de ano

Consumo interno de carne de peru e chester aumenta no Natal, mas foco é exportação
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Com a chegada do Natal, aumenta a busca por produtos que tradicionalmente compõem a ceia natalina. Nozes, frutas secas e cristalizadas, carnes e vinhos estão na lista dos mais procurados e dão um toque especial às festas de fim de ano. A Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) mostra um pouco do processo produtivo de itens como o peru, o chester e o pernil.

Ainda que a demanda por carnes como chester e peru aumente durante o período de festas de fim de ano, as indústrias de alimentação têm foco no mercado internacional. Por questões culturais e de custo, grande parte da produção de carne de peru vai para exportação. Já a produção de chester tem um aumento significativo devido à demanda do Natal, chegando a 420 toneladas/dia entre julho e novembro. 

O município de Mineiros, no Sudeste de Goiás, conta com 40 produtores especializados na criação de chester. A ave chega aos barracões com apenas um dia de vida e permanece em engorda por 52 dias até atingir peso entre três e quatro quilos e seguir para o abate. “Mineiros, no Brasil e no mundo, é a única unidade que produz chester, abatendo em média 120 mil aves/dia”, explica o presidente da Associação de Avicultores Integrados da Perdigão S.A. (Avip), Aluir Vicente da Silva. 

Peru exportação

Com uma produção de carne que ultrapassa 26 mil perus/dia e 125 produtores que trabalham de forma integrada a uma indústria de alimentos, Mineiros é o maior exportador de carne de peru do país. A ave tipo exportação requer uma pesagem mais elevada para o abate e a produção não sofre variações por causa do Natal. Enquanto a ave para consumo interno pesa em torno de cinco a oito quilos, no mercado externo pode chegar a 22 kg.

A produção é dividida em duas etapas: Sistema Iniciador de Peru (SIP) e Sistema Terminador de Peru (STP). Na primeira, o filhote chega aos barracões pesando em média de 60 gramas e saem com 1,2 kg. Na STP, os peruzinhos passam pelo processo de engorda. No caso das fêmeas, a média de tempo até o abate é de 67 dias, enquanto que os machos precisam de 100 dias para atingir o peso ideal. 

O produtor especializado no SIP, Sandro Morrone, possui dois barracões e recebe em média 22 mil aves em fase inicial. Os filhotes demandam cuidado rigoroso nessa etapa, exigindo muita atenção e trabalho em equipe para evitar o alto índice de perda. “Nos primeiros dias, a mão-de-obra precisa ser muito boa. Isso porque os perus precisam da temperatura a 32ºC e se embolam muito. Eles se unem para se esquentar e os que ficam por baixo morrem”, explica.

Entre os principais desafios, está a garantia de ventilação e temperatura adequadas, além do controle sanitário. Ainda assim, a perda média é de 2% a 3% na fase inicial e de 3% a 5% na fase final. “Aqui na unidade de Mineiros, trabalho junto com um casal. Os primeiros dias exigem mais cuidados, mas chegando aos 30 dias, fica mais fácil o manejo e os filhotes são encaminhados para a engorda”, completa o produtor.

O presidente da Avip trabalha com avicultora há 21 anos e também produz carne de peru no STP. Segundo ele, o mercado está em alta. “Eu recebo a ave do iniciador e cuido da parte final até o abate. Hoje a produção em Mineiros está em expansão, girando em torno de 360 toneladas/dia, com a previsão de chegar a 40% da produção nacional”, enfatiza Aluir.

Carne Suína

Com base nos dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), a produção de carne de porco tem se mostrado um negócio promissor no Brasil e no mundo, com crescimento acentuado nas últimas décadas graças aos investimentos em tecnologia, melhoria do produto final e aumento do consumo. Tendo a região Sul, se consolidado como principal região produtora. 

De acordo com a ABCS, as exportações devem bater recorde em 2016 com o envio de aproximadamente 700 mil toneladas para o mercado internacional. Em relação ao mercado interno, a associação estima aumento de 113% no consumo de carne suína nos últimos 20 anos. “Apesar do ano turbulento, a suinocultura continuou a crescer e a expectativa é concluir o ano com produção de 3,85 milhões de toneladas de carne”, calcula o presidente da entidade, Marcelo Lopes.


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