Pescadores notam ‘volta’ do peixe em Mato Grosso
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Agronegócio

Pescadores notam ‘volta’ do peixe em Mato Grosso

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A fartura de peixes voltou ao rio Cuiabá. O aumento dos cardumes, confirmado pelos mais experientes pescadores profissionais, já anima muitos a acreditar no renascer do curso d’água, mais de três anos após o fechamento das comportas da usina hidrelétrica de Manso, na região de Chapada dos Guimarães.

“Esse rio nosso é forte, abençoado. Agüentou todo o esgoto que Cuiabá joga nela e, agora, está agüentando a usina”, afirma Jorge Ribeiro, presidente da colônia de pescadores Z1. “A natureza é mais forte do que tudo”.

Segundo ele, o aumento na população de peixes é sensível, embora a quantidade seja menor do que a que normalmente existia no mesmo rio entre seis e sete anos atrás. “Como aquela época, nunca mais. Agora, depois de três anos, o peixe começou a aparecer”, compara.

De acordo com o pescador Nicélio Gonçalves, o rendimento com a atividade cresceu 30% em 2003. “Melhorou bem este ano. Principalmente o piau e pacu”, relata ele, confirmando que a “safra” já derruba o preço do pescado ao consumidor. “O preço baixou quase na mesma medida”.

Segundo outro comerciante de peixe ouvido pelo Diário essa semana, a diversidade tem sido grande, o que determinou queda no preço e aumento na comercialização.

PISCOSIDADE SAZONAL - Quem pesquisa o assunto, porém, é menos otimista. Para o biólogo da Universidade Federal de Mato Grosso e especialista em peixes, Francisco Machado, o retorno dos cardumes não deve ser motivo de euforia. Segundo ele, o fenômeno é sazonal e decorre quase que unicamente do início do período da seca no Pantanal Mato-grossense.

“Os peixes iscas estão saindo das baías e corixos em direção ao rio. Os maiores vêm em busca de comida. É normal que seja um período de extrema piscosidade”, explica Machado. “Também é normal que isso dure no máximo entre 45 e 60 dias. Então o peixe sumirá de novo”.

Para o biólogo, é temerário usar a atual situação como evidência de recuperação do rio Cuiabá pós-usina. “Eu não me atreveria a dizer isso. É claro que já existem ajustes, mas não a ponto de justificar este momento”.

Segundo ele, “o rio não morreu ainda”, mas cerca de 70% de sua piscosidade foi comprometida pela construção da hidrelétrica. “Esse impacto foi medido por estudos da própria Eletronorte (estatal que iniciou as obras, concluídas mais tarde por Furnas)”, relatou o professor.

Passada a fase atual, os peixes só devem retornar por volta de outubro, juntamente com as chuvas. “Serão picos de captura. Por conta disso, a média diária de 4,5 quilos de peixe, que garantia uma vida digna aos pescadores, não deve mais ser atingida”, prevê o especialista.


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