Pecuária

Pesquisa avalia viabilidade econômica da intensificação pecuária

Resultados econômicos da intensificação pecuária sustentável no bioma pantaneiro foram o tema abordado pelo pesquisador Urbano Gomes
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Os resultados econômicos da intensificação pecuária sustentável no bioma pantaneiro foram o tema abordado pelo pesquisador Urbano Gomes, da Embrapa Pantanal, durante o 2º Ciclo de Palestras Bioma Pantanal - que levou palestras de pesquisadores da instituição e da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) a quatro cidades do MT neste mês de abril. Urbano discutiu com os participantes as informações coletadas por uma equipe de pesquisa que avaliou sistemas intensificados por meio da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) e da desmama precoce.

“O sistema real que nós acompanhamos fica em uma fazenda na sub-região do Abobral, em Mato Grosso do Sul. A propriedade tem cerca de 9400 hectares, 40% de pasto formado e é dividida em piquetes de 100 a 200 hectares. Também possui áreas de reserva, já que fica entre o rio Abobral e o rio Miranda. Quando o sistema de cria e as biotecnologias de desmama precoce e IATF foram implantadas, fizemos o acompanhamento econômico, produtivo e zootécnico por cerca de 10 anos”, detalha o pesquisador.

De acordo com Urbano, a meta inicial dos donos da propriedade era superar 80% de taxa de natalidade. Esse índice, na época, estava em torno de 70% (a taxa de prenhez média no Pantanal fica em torno de 40% a 50%). Considerando todo o sistema, a equipe decidiu implantar a desmama precoce associada à IATF (responsável por programar o cio de uma grande quantidade de fêmeas e inseminá-las ao mesmo tempo) para atingir esse resultado. “Ele precisaria ter mais de 60% de taxa de desmama”, reforça. “A partir disso, ele estaria ganhando dinheiro”.

A desmama precoce, esclarece o pesquisador, visa oferecer as condições necessárias ao restabelecimento antecipado do score corporal da fêmea, que perderia muito peso alimentando o bezerro pelo tempo normal. Ao invés dos tradicionais 7 a 8 meses, a desmama ocorre aos 3 ou 4 meses de vida. “Quando a vaca pare, ela precisa ter reserva nutricional para ela e para essa demanda que vai toda para o leite. Ela entra em balanço energético negativo bem na hora em que precisaria estar pronta de novo para se reproduzir. Por conta das condições nutricionais do Pantanal e desse balaço negativo, ela não consegue se recuperar”.

Com a implantação da desmama antecipada, diz Urbano, foi possível atingir 84% de taxa de natalidade logo no primeiro ano dos estudos. Enquanto as fêmeas voltavam a ganhar peso, os bezerros receberam suplementação alimentar para compensar a falta da amamentação. “Tivemos que colocar 28 mil kg de ração nessa primeira pegada para que todos os bezerros recebessem o trato adequado”, descreve Urbano. Os animais também foram levados para um pasto de qualidade. “Não podemos desmamar um bezerro com 90, 100 dias de vida, pesando 100 kg, sem tratar da sua alimentação”.

De acordo com o pesquisador, o bezerro nasce monogástrico e precisa se tornar poligástrico o mais rápido possível. Por isso, as rações que eles consumiam foram produzidas com esse objetivo. Os bezerros avaliados na época receberam três tipos diferentes de ração, afirma o pesquisador, que variavam de acordo com a idade dos animais. A elaboração desses alimentos foi feita por meio de uma parceria público-privada com uma empresa que forneceu as rações para poder desenvolver seus produtos. Nessas condições, os bezerros ganhavam cerca de 1 kg por dia, afirma Urbano.

Depois que a eficácia da desmama precoce foi comprovada, os pesquisadores passaram a investigar biotécnicas que poderiam ser associadas a esse processo, como os blocos de sal proteinado com progesterona para adiantar os cios e a IATF. “A IATF tem muitas vantagens. A principal delas é antecipar a estação de monta. Nas áreas de cheias do Pantanal, isso significa que você consegue retirar os bezerros mais cedo, o que é importante porque muitos deles podem morrer nas travessias.”

Avaliando o sistema de produção como um todo, com todas as biotécnicas mencionadas acima implantadas para aprimorar a pecuária de cria e aumentar as taxas de prenhez, foi possível chegar à seguinte conclusão: “para cada real investido em um sistema como esse, ele retornava R$ 1,70 – ou seja, igualava esse investimento e pagava mais 70 centavos”. Entre os fatores avaliados para se chegar a esses números estavam a ração para os bezerros, logística e a quantidade de animais, que ficou em torno de 2.300 bezerros. “Não estamos falando de tecnologias novas. Estamos falando da adaptação de processos e tecnologias para cada produtor do Pantanal.

Urbano ressalta a importância de levar os dados reunidos pela pesquisa a produtores pantaneiros tanto do Mato Grosso do Sul quanto do Mato Grosso. “É uma boa oportunidade de conversarmos, trocar ideias e informações - até depois das palestras - para que o maior número de produtores tenha acesso às possibilidades que temos na fazenda”.

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