Piauí dá início à produção de mamona em larga escala
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Agronegócio

Piauí dá início à produção de mamona em larga escala

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Projeto da Brasil Ecodiesel planeja o cultivo de 200 mil hectares. Antecipando-se à discussão sobre o estabelecimento de especificações técnicas para utilização de biodiesel nos motores automotivos brasileiros e a estudos governamentais conclusivos sobre a viabilidade econômica desse combustível, a Brasil Ecodiesel decidiu apostar firme nessa tecnologia.

Ontem, em Canto do Buriti, município distante 435 quilômetros de Teresina (PI), a empresa inaugurou um projeto que prevê o cultivo de 200 mil hectares de mamona na região Nordeste e o assentamento de cerca de 11 mil famílias de trabalhadores rurais. A mamona será matéria-prima para produção de óleo e biodiesel.

No lançamento do projeto, ficou claro que o futuro desse combustível ainda depende de decisões governamentais. Por conta dessa indefinição, a Brasil Ecodiesel ainda não tem certeza sobre qual será a destinação para as primeiras 5 mil toneladas de mamona que serão colhidas entre junho e agosto deste ano. A opção mais provável é produzir óleo vegetal para exportação, deixando o biodiesel para um segundo momento.

Embora hoje a cotação do óleo da mamona seja mais rentável que a do diesel, essa não é a principal explicação para a empresa cogitar deixar a produção de biocombustível para mais adiante. É que esse mercado, além de exigir produção de matéria-prima em larga escala - o que ainda não existe - necessita de um marco regulatório para se desenvolver.

A própria ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, que também esteve ontem no Piauí, admitiu que as definições sobre o biodiesel tendem a ficar para o final do ano. Até lá, portanto, eventuais investidores não saberão em qual proporção o biocombustível deverá ser adicionado ao diesel ou qual a tecnologia de fabricação que o Brasil vai adotar como padrão.

Também se questiona o grau de entusiasmo da indústria automotiva com o biocombustível, que ameaça retirar a garantia dos motores caso o biodiesel não atenda uma série de recomendações técnicas. "Isso precisa ser completamente revisto. Se grandes fabricantes nos Estados Unidos e Alemanha já utilizam a mistura com biodiesel, não têm porque criar embaraços no Brasil", ponderou ontem a ministra.

Pairam dúvidas também sobre o interesse da Petrobras no biodiesel. "A Petrobras tem como foco o petróleo e pode, eventualmente, até enxergar o biodiesel como concorrência", observa Daniel Birmann, presidente do grupo fluminense Arbi e principal investidor da Brasil Ecodiesel e da Enguia Power.

A ministra, porém, assegura que se existirem reservas na Petrobras em relação ao biodiesel, isso terá de ser removido. "O programa do biodiesel não diz respeito só à Petrobras. É de interesse do País. Se a empresa adquire álcool para adicionar à gasolina, fará o mesmo com o biodiesel", disse ela.

Inclusão Social

No lançamento do projeto ficou evidente que o biodiesel, a partir da mamona, precisa ser avaliado também como elemento de inclusão social, sobretudo nas regiões pobres do semi-árido, onde a planta encontra ambiente propício.

Participam da primeira fase do programa 200 famílias. Outras 140 serão assentadas em abril. Até o final do ano, estarão instaladas 560 famílias em Canto do Buriti, numa área total de 18 mil hectares. Cada família terá 15 hectares para cultivo consorciado de mamona e feijão; três hectares para exploração livre; e participação em área reservada à preservação ambiental.

Além de receberem casa com água encanada e eletricidade, as famílias vão compartilhar uma estrutura central com posto médico-odontológico, escola, mercado, centro comunitário, restaurante e hospedarias, auditório e cinema. Os agricultores também terão suporte técnico e de capacitação.

Um assentamento com um núcleo de 560 famílias requer investimento próximo a R$ 15 milhões, de acordo com Nelson Côrtes Silveira, sócio da Brasil Ecodiesel. A meta da empresa é instalar até o final de 2005 outros cinco projetos semelhantes ao de Canto do Buriti, três no Piauí e dois no Ceará.

No projeto, assentados e a empresa trabalham no sistema de "parceria rurais". A partir do segundo ano de operação, 50% da safra de mamona e 80% da colheita de feijão cabem ao agricultor. Nos cálculos da Brasil Ecodiesel essa parceria assegura rendimento líquido de R$ 700 mensais para cada família, considerando uma produtividade de 1,5 tonelada de sementes de mamona por hectare.

As famílias também recebem adiantamento mensal da produção de R$ 250, valor dispensado pela Brasil Ecodiesel em caso de frustração da colheita por conta das condições climáticas ou de pragas.


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