Pinhão com produção menor no PR

Agronegócio

Pinhão com produção menor no PR

Este ano a produção foi menor e, consequentemente, o tempo de oferta do produto caiu em comparação às safras anteriores
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Entre os meses de maio e agosto, com a chegada do frio e das festas juninas, é tradicional o consumo de pinhão no Paraná. Porém, este ano a produção foi menor e, consequentemente, o tempo de oferta do produto caiu em comparação às safras anteriores.

Fato esse presenciado facilmente por pessoas que passaram pelas rodovias que liga Pitanga à capital do Estado, principalmente no trecho entre Turvo e Guarapuava. Esse é o local do Paraná, onde mais se encontra o produto.

Antonio Márcio

Em Campo Mourão o vendedor ambulante, Bruno Hanqe, 54 anos, que trabalha há três anos com uma barraca vendendo legumes e frutas na saída para Maringá, conta que teve dificuldades para conseguir pinhão. “Busco em Turvo e Guarapuava, mas esse ano a safra foi menor. O período de comercialização foi pelo menos um mês a menos do em anos anteriores.”

Segundo ele, com a safra mais curta o preço do produto subiu. No ano passado o quilo foi comercializado a R$ 1,80 e nesse ano a R$ 2,50. “É normal quando tem pouco pinhão o preço ser outro. Já a qualidade foi a mesma”, frisa. Ele diz que a população de Campo Mourão gosta de pinhão. “É um produto bastante procurado. Sempre vendo tudo o que tenho.”

O pinhão é retirado da Araucária, também conhecida como Pinheiro-do-Paraná, e garante a alimentação de muitas espécies de animais, principalmente roedores e pássaros. “É também item obrigatório no cardápio de outono e inverno em milhares de residências do Paraná. O apetite humano pelo pinhão pode funcionar como o principal aval para a preservação das araucárias que é uma das espécies mais ameaçadas da flora paranaense e são derrubadas para a extração de madeira”, diz o engenheiro agrônomo, Douglas Dias de Almeida, que faz parte de uma ONG de Turvo denominada Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF).

Ele explica que o ciclo do pinhão tem produção boa a cada quatro anos. “Esse ano não foi de produção cheia. Ano que vem deverá ser maior.” Um dos motivos pelo menor tempo de comercialização, segundo Almeida, é que muitas pessoas estão intermediando grandes vendas para redes de supermercados. “Com isso, os vendedores de beira das estradas não tiveram muito que vender.”

As regiões típicas de produção são Guarapuava, Turvo e União da Vitória. Em Turvo, o volume de pinhão produzido e comercializado anualmente gira em torno de 280 mil quilos. “Proporciona uma alternativa de renda interessante. Poderia ser muito maior se fosse organizada”, assinala o engenheiro agrônomo.

Almeida observa que pouco se conhece sobre as implicações sociais, econômicas e ambientais da atividade de coleta e venda de pinhão no Estado do Paraná. “Quase nada foi publicado sobre a cadeia produtiva desse produto, embora seja possível encontrar esta iguaria em qualquer feira ou supermercado do Paraná e, certamente quase todo paranaense consuma uma quantidade expressiva de pinhão durante o período de safra.”

De acordo com levantamento realizado pelo IAF, a atividade extrativista do pinhão é realizada de forma informal, o que dificulta a agregação de valores e também a organização do mercado. Com isso nem sempre é possível saber a origem do produto que comercializado de modo informal, principalmente na beira da rodovia.


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