Pintos de corte: números de outubro seguem a praxe ou repetirão setembro?

Agronegócio

Pintos de corte: números de outubro seguem a praxe ou repetirão setembro?

A indústria do frango continua a manter uma sazonalidade justificável, sem dúvida, no século passado
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Os tempos mudaram. Mesmo assim, a indústria do frango continua a manter uma sazonalidade justificável, sem dúvida, no século passado. Mas não na atualidade. Pois, visando às Festas de final de ano, o setor continua concentrando a produção de pintos de corte no mês de outubro. Em 2016 a praxe será seguida? Ou a tendência é repetir os baixos números de setembro passado?

Houve um tempo – alguém ainda se lembra? – em que o consumo da carne de frango era exclusividade dos domingos e, principalmente, prato central das grandes reuniões familiares. E como o grande evento familiar anual é o Natal, o máximo abate de frangos do ano ficava reservado para o mês de dezembro. Visto que, então, a criação de um lote levava de 60 a 70 dias, a maior produção de pintos de corte de cada exercício se concentrava em outubro.

Para felicidade geral da indústria do frango, as condições de consumo sofreram radical transformação. Em vez de prato festivo, o frango tornou-se alimento de consumo diário e a carne mais consumida no Brasil. Ou seja: as festas tornaram-se fator de consumo secundário. 

Concomitantemente, o melhoramento genético reduziu significativamente o tempo de criação: de 10 semanas, para seis semanas. Até menos. Adicionalmente, aperfeiçoaram-se os métodos de conservação do produto, via refrigeração e/ou congelamento. E, mesmo assim, a produção de pintos de corte continua concentrada no mês de outubro.

Para comprovar, basta uma análise dos dados divulgados mensalmente pela APINCO. Nos últimos 15 anos (ou, dito de outra forma: nos primeiros 15 anos do século XXI), em apenas três ocasiões a maior produção de pintos de corte do exercício não ocorreu no mês de outubro – por razões alheias à atividade. Quer dizer: em 80% do período o setor manteve a mesma praxe do século passado.

O resultado desses 15 anos é traduzido na curva sazonal de produção abaixo. Por ela se confirma que a maior produção anual de pintos de corte é registrada no mês de outubro correspondendo, em média, a um volume cerca de 12% maior que a média mensal do ano anterior.

A grande questão que se levanta agora é: a praxe será mantida em 2016? 

A primeira resposta parece ser “não”. Pois, para se tornar o maior volume do ano, a produção de outubro deveria superar os 561,5 milhões de cabeças registrados em março deste ano. E, só aí, seria preciso um aumento de cerca de 8% em relação à média mensal produzida no trimestre julho/setembro de 2016 (519,8 milhões de cabeças), algo impossível de alcançar na conjuntura atual.

Por ora, só um fato é certo: a exemplo do que vem ocorrendo desde junho, também em outubro o volume de pintos de corte deve ter sido inferior ao do mesmo mês do ano passado – mês, aliás, em que se registrou a maior produção de 2015: 581,6 milhões de cabeças.

E se, por exemplo, for mantido o mesmo nível de redução observado em setembro passado, de cerca de 10%, o volume do mês não terá chegado aos 525 milhões, consubstanciando-se como o terceiro menor volume dos 10 primeiros meses de 2016. Apenas porque a conjuntura exige, pois, pela tradição, sem dúvida se teria, novamente, o recorde do ano.

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