Pitaia ganha espaço entre agricultores familiares assentados em Goiás
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Imagem: Pixabay
AGRICULTURA

Pitaia ganha espaço entre agricultores familiares assentados em Goiás

Com mercado em expansão, Estado produz 23 toneladas do fruto em área total de 135 hectares

Conhecida também como fruta-dragão, a pitaia chama atenção onde estiver, seja nas gôndolas dos mercados ou nas cestas das feiras. O visual extravagante e a riqueza nutricional têm conquistado os consumidores brasileiros, o que torna a fruta uma opção interessante para a diversificação de culturas entre os produtores rurais. Atentos a essa demanda, agricultores familiares de assentamentos assistidos pelo Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), estão investindo no cultivo de pitaia e obtendo resultados positivos.

Em Flores de Goiás, no Projeto de Assentamento (PA) Bela Vista, o casal Luciano e Cleuza Rodrigues decidiram começar a plantar a fruta-dragão há oito meses. Natural de Santa Catarina, segundo maior produtor do País, Cleuza já estava familiarizada com aspectos relativos ao cultivo. Com cerca de 35 hectares, a chácara do casal conta hoje com 600 pés de pitaia, divididos entre seis variedades: costa rica, vermelha, nicaragua, nicaragua gigante, roxa do pará e amarela colombiana.

Apesar da cultura ser pouco difundida na região, a família Rodrigues optou por mergulhar na experiência. Profissionais da Emater, a extensionista Leide Moreira e o engenheiro agrônomo Wesley Eloi, orientaram quanto à adubação correta e fizeram a análise de solo. “É uma fruta diferente, exótica e com comércio ainda em crescimento”, enfatiza Cleuza. A expectativa é alta, já que as plantas estão frutificando antes do tempo esperado. Normalmente, os frutos atingem o ponto apropriado para comercialização em cerca de três anos após o plantio.

O volume de produção ainda tímido é uma realidade em todo o Estado. De acordo com o Censo Agro 2017, o levantamento agropecuário mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de pitaia produzida naquele ano foi de 23 toneladas, em área total de 135 hectares distribuídos em 12 estabelecimentos rurais goianos. O valor da produção foi estimado em cerca de R$ 393 mil.

Manejo simples
O cultivo fácil atraiu o pequeno produtor Silvio Marques Gomes, do assentamento Associação Santa Helena, em Jataí, município na região Sudoeste de Goiás. No sítio Bom Sucesso, com cerca de 10 hectares, o agricultor familiar trabalha também com mexerica e laranja. “O diferencial é que a mão de obra no cultivo de pitaia é bem mais tranquila, porque não exige muita manutenção. Faço a poda uma vez por ano”, relata.

Com espécies de polpa vermelha e de polpa branca, Silvio cuida de 145 pés da fruta. Mesmo que a pitaia apresente demandas mais simples de cultivo, o produtor atenta para a questão da polinização. Como a abertura das flores tem início à noite, normalmente a partir das 19h, prolongando-se até as 8h do dia seguinte, o processo de polinização deve ser feito preferencialmente nesse período para a geração de frutos maiores em tamanho e qualidade.

Comercialização
Ponderação é a palavra-chave que o fruticultor deve ter em mente antes de optar pela cultura de pitaia. De acordo com o engenheiro agrônomo e coordenador regional da Emater, José Luiz Pereira, a fruta-dragão é considerada um “nicho de mercado”, portanto é preciso avaliar o mercado local para evitar prejuízos. “A pitaia começou a cair no gosto dos consumidores brasileiros há pouco tempo. É necessário tomar cuidado, já que não é uma fruta que as pessoas têm o hábito de consumir diariamente”, alerta.

Ainda que a comercialização seja mais robusta em grandes centros, o profissional aponta também os benefícios do plantio. “Se adapta bem a climas secos, então Goiás tem condições favoráveis para a produção de pitaia em todo o Estado”, esclarece. Resistente a doenças, o fruto pode ser cultivado em todas as regiões do Brasil, desde que os tratos culturais sejam praticados de maneira adequada.


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