Plano Safra não agradou agricultura familiar

Imagem: SAM PANTHAKY/AFP/JC

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Plano Safra não agradou agricultura familiar

Entidades que representam o setor não ficaram satisfeitas com juros e condições
Por: -Eliza Maliszewski
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O Plano Safra 2020/2021 foi anunciado pelo Ministério da Agricultura, nesta quarta-feira (17), destinando um total de R$ 236,3 bilhões para produtores rurais. O volume de recursos destinado para custeio, comercialização e investimento está 29% maior do que na última safra e com juros um pouco menores. 

Para a agricultura familiar foram destinados R$ 33 bilhões para financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com juros de 2,75% e 4% ao ano, para custeio e comercialização. 

Entidades e autoridades não ficaram satisfeitas com o anúncio voltado aos pequenos mesmo com trabalho intenso da ministra Tereza Cristina que destacou seu desejo de manter os recursos voltados para médios e pequenos.

Em nota a Federação da Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), destacou que o anúncio traz pontos positivos em valores e no aumento de recursos para o seguro rural mas contestou a taxa de juros (2,75% para o Mais Alimento e 4% para as demais linhas ao ano) e a falta de anúncios para o crédito fundiário. . “Não podemos concordar que os agricultores paguem taxas de juros acima da taxa Selic, que hoje é de 3% com previsão de queda para 2,25% ao ano. Isto é não priorizar os agricultores e os pecuaristas, principalmente os familiares, que mantém o Brasil de pé. Esperávamos um reconhecimento maior por parte do governo, o que acabou novamente não ocorrendo”, destacou o presidente da entidade, Carlos Joel da Silva. 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) disse que esperava o anúncio de um Plano Safra específico para a agricultura familiar já que a entidade havia reivindicado R$ 40 bilhões para o Pronaf Crédito. Outro ponto observado também são os juros. Enquanto os juros para os grandes produtores diminuíram de 8% para 6% ao ano, para os familiares passou de 3% para 2,75%, ou seja, redução de apenas 0,25%. “De um modo geral, a agricultura familiar sai insatisfeita com o Plano Safra anunciado. Precisávamos de mais recursos para investimento e taxas de juros menores, para que os agricultores e agricultoras familiares consigam se recuperar dos efeitos da pandemia. Houve perda de produção e de renda com a suspensão das feiras livres, da venda para o PAA e Pnae, entre outros prejuízos. É preciso reafirmar que é a agricultura familiar que garante a soberania e segurança alimentar do País”, destaca o presidente da Contag, Aristides Santos.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avaliou como positivo o Plano Safra e destaca que os recursos vão dar mais ânimo para que o setor, que não parou durante a pandemia, permaneça contribuindo para o fortalecimento da economia brasileira. Com relação aos juros a entidade acredita que devem acompanhar a queda da taxa Selic, que se confirmadas as previsões de que chegue a 2,25% neste ano, terá uma redução de 12 pontos percentuais desde 2016. No mesmo período, ressaltou, a taxa de custeio agropecuário caiu apenas 1,5 ponto percentual. “O governo fez sua parte. Se as taxas de juros ainda deixam a desejar, isso pode ser atribuído aos spreads bancários, que ainda são altos”, afirmou o vice-presidente da CNA e deputado José Mário Schreiner.
 


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