Plantio chega ao fim nas principais regiões produtoras

Agronegócio

Plantio chega ao fim nas principais regiões produtoras

O clima tem colaborado mais do que o previsto para ano de La Niña
Por: -José Rocher e Luana Gomes
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Paraná e Mato Grosso concluem tarefa com alívio, depois de atraso que ameaçava comprometer a produtividade

O plantio da soja e do milho chega ao fim nos dois principais estados produtores – Mato Grosso e Paraná, que produzem perto da metade dos grãos de verão no país – com potencial preservado, mas não sem atropelos. O clima tem colaborado mais do que o previsto para ano de La Niña, apesar de as atividades de campo terem sido dificultadas pelo atraso das chuvas entre setembro e outubro.

No Paraná, perto de 99% da área de cultivo foi plantada, conforme monitoramento do Departamento de Economia Ru­­ral (Deral) da Secretaria Es­­tadual da Agricultura e do Abas­­teci­mento (Seab). A confirmação de que a safra vai bem vem do campo verde. Segundo os técnicos do Deral, 97% das áreas de soja e 93% das de milho apresentam boa condição. As demais plantações são consideradas regulares ou médias.

Como o cultivo começou mais tarde e foi concluído rapidamente, houve concentração das lavouras num mesmo estágio. Atualmente, perto de 90% das plantações de soja estão em desenvolvimento vegetativo no Paraná. As mais adiantadas se­­guem na fase de floração. Esse quadro mostra que são necessários mais dois meses de condições climáticas favoráveis no estado, com chuvas bem distribuídas, para que se atinja o potencial produtivo.

Os produtores tentaram an­­tecipar o plantio no Paraná, bem como em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que também correm risco de ter as chuvas reduzidas no verão. Porém, pou­­cos conseguiram. Como a umidade não era suficiente, houve inclusive atraso, mas o problema foi passageiro. De­­pois de começar o plantio de milho uma semana depois do previsto, João Mignoso, de Cam­­po Mourão, aproveitou o retorno nas chuvas para colocar no campo toda a soja que podia. A pressa foi tanta que, no início de outubro, quando deveria estar apenas começando a im­­plementar a safra, 70% da oleaginosa já estava no campo. “Neste ano, pela primeira vez, vou colher a soja antes do milho no verão”, observa.

Em Mato Grosso, o plantio chega a 99% , depois de muita preocupação com o atraso nas atividades, conforme o instituto de economia agropecuária do estado, o Imea. Em algumas regiões, as plantadeiras foram acionadas um mês depois do previsto, mas logo em seguida houve recuperação. Atual­mente, apenas fazendas ao sudeste e ao nordeste do estado seguem plantando. Na região centro-norte, responsável por mais de um terço da produção mato-grossense, a tarefa foi concluída em tempo e sob boas condições de produção, avaliam os técnicos do Imea. O problema será o calendário apertado para a produção de milho, que Mato Grosso concentra na segunda safra. Por enquanto, o instituto trabalha com possibilidade de redução de até 9,3% na área do cereal.

Logo atrás do Paraná e de Mato Grosso, vêm os demais estados do Sul, do Centro-Oeste e do Sudeste, que ainda têm perto de 10% da área de grãos para plantar. A semeadura da soja e do milho segue entre uma chuva e outra no Centro-Norte do país, que abrange Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia. A tarefa atinge perto de dois terços das áreas destinadas à soja e ao milho. Os produtores afirmam que os trabalhos serão concluídos na semana que antecede o Natal.

Relação entre os custos e os preços dos grãos melhorou

A conversão dos custos em sacas de soja foi um dos principais fatores que estimularam os agricultores brasileiros a ampliarem o cultivo da oleaginosa. Se por um lado o desembolso não mudou muito, com redução, conforme o setor, de menos de 10% entre 2009 e 2010, por outro lado a elevação das cotações da commodity de 15 a 20% faz com que uma parcela menor da colheita seja destinada ao pagamento de contas.

As contas, muitas vezes feitas de cabeça ou apenas na hora da compra dos insumos, terão de ser atualizadas na colheita, principalmente pelos produtores que não travaram preços. No en­­tanto, no momento do plantio, o custo do produtor Airton Al­­berton, que cultiva 120 hectares em Xanxerê (SC), co­­me­­morava queda nas despesas de 23 sacas para 27 sacas de soja por hectare (-15%).

Se considerada a cotação de R$ 42 alcançada na safra 2009/10 e a média de R$ 48 a R$ 50 es­­perada para esta safra, percebe-se que os custos operacionais de Al­­berton praticamente não mudaram, ficando em cerca de R$ 1,1 mil por hectare. Essa conta só será fe­­chada quando ele entregar a produção.

O produtor catarinense avalia que, em sua região, não vale a pena vender antecipado. “Não faço contratos de venda futura porque, sempre que me antecipei, recebi menos do que se vendesse entre janeiro e março. Os preços têm sido bons na colheita nos últimos anos.” Sua estratégia é a paciência. Dificilmente compra grande volume de insumos antes da boca da safra. Busca proteção somente na contratação do seguro agrícola sobre o financiamento da lavoura.

Nas contas do produtor José Donizete, de Cândido Mota (SP), o desembolso necessário para a compra de insumos caiu 35%, de 20 para 14 sacas de soja por hectare. Ele mesmo determina o pacote tecnológico a ser adotado, sem seguir à risca as orientações técnicas, e o faz não só com base na produtividade que pretende alcançar, mas também em sua capacidade de pagamento. Neste ano, não teve dúvida diante da queda dos custos verificada na conversão dos preços dos insumos em sacas de soja. Travou preços para garantir o valor necessário ao custeio do cultivo de 106 hectares.

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