Plantio de algodão deverá ocupar 120 mil hectares em MT

Agronegócio

Plantio de algodão deverá ocupar 120 mil hectares em MT

Resultados satisfatórios podem fazer esta técnica responsável por 32% da área na safra
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A safra 29/10 deve passar por algumas dificuldades, dada a atual crise de crédito e os elevados preços dos insumos agrícolas. Isso poderá levar a aumentos significativos dos custos de produção, principalmente para o algodão, cultura que demanda quantidades elevadas de nutrientes.

Visando à diminuição do custo com colheita - e consequentemente do custo total de produção - uma das opções é a utilização do chamado cultivo adensado do algodoeiro, técnica que ainda não é amplamente conhecida no país. Dessa forma, a redução dos custos produtivos é vislumbrada por produtores como principal saída à crise, o que garantiria retornos positivos de investimento.

“Entretanto, não queremos apenas reduzir os custos [de produção]. Queremos que esta nova técnica de plantio mantenha a mesma qualidade e o produto seja tão competitivo comercialmente quanto a variedade plantada pelo sistema convencional”, afirma o diretor executivo da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins.

O espaçamento convencional do algodoeiro gira entre 80 centímetros a 90 centímetros, podendo chegar a até 76 centímetros, espaçamento mínimo que permite a colheita mecânica da cultura com as atuais colhedoras. O espaçamento do algodão adensado é aquele que utiliza distância entre linhas inferior ao utilizado atualmente. Um espaçamento de cultivo que poderia ser facilmente introduzido é aquele utilizado para a cultura da soja, que é de 45 centímetros, podendo ser ainda mais reduzido. Além disso, o ciclo de colheita, que normalmente é de 180 a 200 dias para o plantio tradicional, poderá cair para até 150 dias.

Em Mato Grosso, foram plantadas na atual safra cinco mil hectares para teste. Mas, na próxima safra, o algodoeiro adensado deverá ocupar uma área de 120 mil hectares, com plantio previsto para os meses de janeiro e fevereiro de 2010. O plantio do algodão pelo sistema convencional começa um pouco mais cedo, em dezembro.

Algumas diferenças agronômicas são verificadas com a utilização do algodão adensado, principalmente em relação ao crescimento vegetativo das plantas. Com maior competição entre plantas e menores espaçamentos, há uma tendência de as plantas apresentarem um encurtamento de seu ciclo.

Além disso, o número de estruturas reprodutivas por planta (devido à maior quantidade de plantas por hectare) é menor, fazendo com que a lavoura ganhe em número de maçãs-capulho por área, e não por planta, proporcionando uma possível maior produtividade por área. Além disso, com um cultivo mais adensado, o controle de plantas daninhas pode ser mais facilitado, devido à menor entrada de raios solares que permitam o desenvolvimento de plantas daninhas.

De acordo com o agrônomo Sérgio Lima, o principal cuidado que deve ser tomado na hora de optar por um cultivo adensado deve ser verificar como será realizada a colheita da cultura, visto que as principais colhedoras existentes nas propriedades cotonicultoras apresentam limitações em relação ao espaçamento utilizado, não permitindo colher espaçamentos adensados.

“Outro aspecto bastante importante em relação à escolha do cultivo adensado é a cultivar a ser trabalhada, devido ao fato de diferentes cultivares apresentarem hábitos de crescimento bastante diferenciados, variando de baixo a alto desenvolvimento vegetativo, o que pode influenciar na arquitetura final das plantas”, lembrou ele.


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