Plantio de cobertura recupera capacidade produtiva de área

Agronegócio

Plantio de cobertura recupera capacidade produtiva de área

A pratica do plantiod e cobertura protege o solo da erosão e da presença de plantas daninhas
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Todos os anos, durante o inverno, o produtor Paulo Rohr, de Marechal Cândido Rondon, no extremo oeste do Paraná, reserva 30% dos 80 hectares ocupados com soja e milho no verão para fazer o plantio de cobertura, prática que protege o solo da erosão e da presença de plantas daninhas. “Investir na melhoria do solo nesta época traz três vantagens: melhora a estrutura do solo, favorece a fertilidade e diminui custos com herbicidas”, diz Rohr, adepto do plantio direto há mais de 20 anos.

Segundo o pesquisador Ademir Calegari, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), no Estado, mais de 2 milhões de hectares ficam sem cultivo no inverno e, portanto, sujeitos à erosão e ao aumento de ervas daninhas. “Outra conseqüência da falta de plantio no inverno é o aumento do custo de produção da safra de verão, pois o agricultor vai gastar muito mais com herbicida”, explica, destacando que ainda dá tempo de fazer o plantio de cobertura.

O certo é entrar com a adubação verde nas áreas de pousio, para recuperá-las. Pousio, que é deixar a terra sem cultivo para descansar, é a pior coisa que se faz com o solo, porque grande parte das plantas daninhas é multiplicadora de nematóides e doenças que atingem o solo, justifica Calegari. “A revitalização do solo deve ser feita com plantas especiais, para recuperar suas propriedades físicas, químicas e biológicas.”

O custo de instalação de plantas de cobertura é baixo. Para o nabo forrageiro, por exemplo, é de R$ 40/hectare; para leguminosas, de R$ 70/hectare, mais despesas com mão-de-obra e combustível, calcula o pesquisador.

“Coquetel”

Calegari afirma que existem várias espécies de plantas que podem ser usadas na conservação do solo (Veja quadro). “Algumas protegem da erosão, outras recuperam os atributos do solo, outras fixam nitrogênio, outras produzem matéria orgânica. Cada uma, isoladamente ou em consórcio, melhora o potencial produtivo do solo, pois estimula a biodiversidade local. Isso eleva o número de inimigos naturais de pragas e nematóides.”

As plantas podem ser usadas individualmente, mas uma opção vantajosa é fazer um “coquetel”, semeando a mistura de sementes de espécies diferentes. “Entre os efeitos está a maior longevidade da cobertura, pois se aproveita o melhor de cada planta.” O produtor Rohr, que mistura nabo forrageiro com aveia preta, concorda, mas diz que o importante é fazer a cobertura, não importa a planta. “A mistura dá melhores resultados, mas o produtor deve escolher a que for mais acessível.”

Rohr conta que faz o plantio de inverno há 10 anos e que o investimento na melhoria do solo o ajudou a diminuir as despesas com herbicidas pela metade. Já a economia com fertilizantes foi de 30%. No Sítio das Orquídeas, de Rohr, a produtividade média de soja é de 60 sacas/hectare; a de milho, 150 sacas/hectare.


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