Plantio Direto ainda apresenta deficiências no Paraná
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Agronegócio

Plantio Direto ainda apresenta deficiências no Paraná

III Reunião Paranaense de Ciência do Solo
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Encontro de especialistas em solo aponta a ausência da rotação de cultura como principal motivo do enfraquecimento da técnica

A utilização de uma só cultura nas safras de verão e inverno pode até ser rentável quando os preços de algumas commodities agrícolas estiverem bons. Mas para o solo, a monocultura tem sido, em longo prazo, um vilão para o sistema de plantio direto que, segundo especialistas, está perdendo cada vez mais qualidade e eficiência. O assunto foi uma das questões mais debatidas durante a III Reunião Paranaense de Ciência do Solo, ocorrida entre os dias 7 e 9 de maio em Londrina, que reuniu diversas empresas e entidades para debater o plantio direto e outras questões relacionadas ao solo.


De acordo com Arnaldo Colozzi Filho, presidente da comissão organizadora do evento, o assunto foi escolhido porque os produtores paranaenses estão deixando de seguir as orientações recomendadas para a obtenção de um sistema eficiente de plantio direto, principalmente no que diz respeito à não adoção do sistema de rotação de culturas. Rafael Fuentes, especialista em solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), explica que o produtor pode plantar soja no verão e milho no inverno. Porém, ele destaca que é necessário diversificar pelo menos uma parte dessa área.

Para Fuentes, o agricultor precisa mudar de atitude. "Não tem uma receita pronta, mas se o agricultor plantar soja com milho no verão a cada três anos, por exemplo, ele já consegue melhorar um pouco a qualidade do seu plantio direto", observa. No inverno, ele também recomenda, a cada três anos, destinar um terço da área para o plantio de aveia, nabo ou ervilha, culturas que retém alto teor de matéria orgânica no solo. Fuentes critica os produtores dizendo que eles estão muito acomodados com as culturas tradicionais.


Na opinião do especialista em impactos nos sistemas de produção agrícola da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ricardo Ralisch, o desenvolvimento do sistema de plantio direto parou depois de 40 anos de crescimento. "O plantio direto bem aplicado é um sistema que torna a atividade agrícola sustentável, reduz os custos de produção e aumenta a produtividade", completa o professor.

Segundo ele, uma das razões para que a técnica não tenha sido aplicada de forma plena é o fato de o sistema de produção ser baseado no livre mercado. "Isso foi bom em determinado momento porque aconteceram grandes mudanças no sistema produtivo. Por outro lado, a total liberdade trouxe obstáculos econômicos." Ralisch explica que o mercado dita aos produtores o que devem ou não plantar. "Os produtores são imediatistas porque o sistema os induz", completa o professor.


Ralisch enfatiza que é preciso discutir a atividade agropecuária, mostrando aos produtores e para a população que vive nas cidades qual é o papel do setor na economia, no meio ambiente e na sociedade. Uma solução apontada pelo especialista para fomentar a adoção do sistema de plantio direto é a criação de crédito direto para quem implanta rotação de culturas em sua área. "Os agricultores que adotam o sistema deveriam ser beneficiados também com taxas de juros diferenciadas", completa.

Foco
Realizado a cada dois anos, o encontro de ciência do solo, que iniciou em 2009, já passou pelas cidades de Pato Branco, no Sul do Paraná, e pela Capital. "A nossa ideia é percorrer todas as grandes regiões produtoras do Estado para debater os problemas desses locais", revela Arnaldo Colozzi Filho, membro da organização do evento. Ao todo, segundo ele, foram mais de 620 inscritos, contando com a participação de 115 instituições de pesquisas.

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