Pleitos retardam o anúncio do Plano de Safra

Agronegócio

Pleitos retardam o anúncio do Plano de Safra

O setor aguarda para o final deste mês o anúncio do Plano Agrícola e Pecuária 2007/08
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Estimativa é que sejam adotadas medidas estruturais, além dos recursos para financiamento. Com a prorrogação das dívidas dos produtores agrícolas, autorizada nessa quinta-feira (14-06) quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o setor aguarda para o final deste mês o anúncio do Plano Agrícola e Pecuária 2007/08 - o endividamento era um dos entraves, além da redução dos juros, que está em discussão. A expectativa é que seja um plano amplo, com soluções estruturais.

Apesar do atraso - os recursos para a safra atual foram divulgados em maio do ano passado - os produtores devem iniciar o plantio com dinheiro disponível nos bancos - existe uma sobra de cerca de R$ 2 bilhões da safra 2006/07 e os recursos da exigibilidade bancária não dependem de normas para serem liberados, apenas da divulgação do plano. Cerca de 35% da verba destinada a investimentos e 20% dos valores para custeio dependem de normas, que podem demorar até 60 dias para serem publicadas.

A expectativa do setor é que sejam liberados R$ 55 bilhões, volume 10% superior à temporada passada, percentual inferior ao da safra 2006/07, quando os recursos foram 12,7% maiores. Mas o mais aguardado é a diminuição na taxa dos juros fixos, dos atuais 8,75% ao ano para 6,75% ao ano.

"Deve ser um plano amplo e integrado à real capacidade de pagamento e de produção", afirma Carlos Sperotto, presidente da Comissão Nacional de Crédito Rural da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo ele, além dos recursos para o financiamento da safra, o plano deverá abranger soluções para o controle dos custos - como a liberação de compra de insumos do Mercosul - e para o endividamento. Se até a semana passada, as dívidas eram empecilho para as negociações do plano (ver box), agora são os juros. "Não queremos o anúncio do Plano de Safra antes de discutirmos amplamente a taxa, pois se concedem 6% ao ano de teto para a agricultura familiar, fica uma limite mínimo que não nos agrada", diz Sperotto.

"Se os juros básicos estão caindo, por que não reduzir para o setor agrícola? É uma boa medida, que abre espaço no orçamento do produtor rural para que possa comprar mais defensivos e ampliar a área plantada", avalia o economista Fábio Silveira, da RC Consultores.

Está na pauta de discussão do plano a possibilidade de os produtores adquirirem insumos do Mercosul, uma vez que enquanto o dólar caiu 13%, os preços destes produtos subiram 45%. O setor quer também a ampliação dos limites de crédito.

Mesmo com o atraso na divulgação do plano, a expectativa do Banco do Brasil é que não ocorram problemas, pois a maior parte dos recursos, que dependem de exigibilidade bancária, estarão disponíveis em 1 de julho. A maior procura por crédito ocorre a partir de setembro. Mas, para o assessor-técnico da Comissão Nacional de Crédito Rural da CNA, Luciano de Carvalho, a demora pode acarretar aumento nos custos. "Quanto mais perto da safra, maiores os preços dos insumos". Silveira concorda com Carvalho. Para ele, quanto mais tarde, pior, pois há menos espaço para o planejamento do plantio e para busca de melhores oportunidades de compras. "O anúncio do plano deveria ter uma data fixa e ser cumprida", afirma Silveira. Ele acredita que, se não houver problema climático, a próxima safra será recorde, acima da atual, avaliada em 130,6 milhões de toneladas.

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