Possíveis impactos do novo vírus da Influenza Aviária no setor avícola
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Agronegócio

Possíveis impactos do novo vírus da Influenza Aviária no setor avícola

Os casos mundiais da doença se encontram dentro do esperado
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Baseada nas notificações transmitidas à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a Organização Mundial da Saúde (OMS) observa que os casos mundiais de Influenza Aviária decorrentes do subtipo H5N1 se encontram dentro do nível esperado e acrescenta que, com o avançar da Primavera no Hemisfério Norte o número de ocorrências deve decrescer.


Não é, entretanto, o que ocorre com o subtipo H7N9, cuja circulação na China (e agora já em Taiwan). Pois ele parece fugir ao padrão sazonal normal observado em outros surtos de Influenza Aviária de Baixa Patogenicidade (IABP) causados nas aves por vírus do tipo H7. Daí a recomendação de que se reforce globalmente a vigilância em torno da Influenza em animais (sobretudo nas aves) e no homem.

E, efetivamente, há bons motivos para preocupação. Pois enquanto em quase 10 anos de casos de Influenza Aviária do tipo H5N1foram oficialmente notificadas 628 ocorrências da doença em humanos, em cerca de um mês o H7N9 já registra 109 casos, número apontado pela OMS na última sexta-feira, 26 de abril.


É verdade que os casos humanos fatais de H7N9 vêm sendo proporcionalmente menores que os de H5N1. Neste, até agora, a proporção é de 59,5% (374 mortes em 628 casos); no H7N9 está, por ora, em 20,2% (22 mortes em 109). Mas os desafios agora são significativamente maiores, pois enquanto o H5N1 (vírus de alta patogenicidade) se manifestava claramente nas aves, denunciando sua presença no meio ambiente, o H7N9, por ser de baixa patogenicidade, na maioria das vezes passa despercebido na avicultura, o que significa que pode estar se disseminando muito além do sudeste asiático.

Mas a questão principal, até aqui, é o número de vidas humanas perdidas em consequência da infecção ocasionada pelo vírus, fato que, em última instância, está levando a população chinesa a uma generalizada redução no consumo de carne de frango, ainda que esteja claro (e as autoridades de saúde insistem em ressaltar esse fato) que a transmissão só ocorre através do contato direto com aves vivas doentes.


O efeito dessa redução será a desaceleração da indústria avícola chinesa, com possíveis efeitos sobre as importações. Neste caso, o que está sendo previsto é a redução das compras externas não só das carnes avícolas, mas também de matérias-primas como milho e soja. Algo que, se efetivamente ocorrer, deve afetar significativamente as exportações brasileiras.

E não é pouco o que está em jogo. No ano passado, conforme dados da SECEX/MDIC, a China foi a quarta maior importadora da carne de frango do Brasil, gerando receita próxima da US$500 milhões. Já as importações de soja brasileira foram muitíssimo mais representativas: a China foi a principal importadora do Brasil e suas compras ultrapassaram a casa dos US$12 bilhões. Ou seja: é torcer para que o atual surto de H7N9 seja rapidamente debelado.

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