Agronegócio

Preço da arroba do boi deve continuar baixo

Atual cotação, na casa dos R$ 55, ainda é reflexo dos focos de febre aftosa confirmados no Paraná
Por: -Fernanda Mazzini
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Os pecuaristas devem continuar enfrentando um ciclo de preços baixos pago pela arroba do boi, pelo menos, até o final de dezembro. Embora a cotação tenha tido um leve reajuste a partir da segunda quinzena deste mês, a tendência é que os preços se mantenham nos atuais patamares, na casa dos R$ 55. O panorama ainda é reflexo dos sete focos de febre aftosa, confirmados em outubro do ano passado no Paraná, que levaram os principais mercados consumidores a suspender as importações do produto. Nem mesmo o cumprimento de todas as exigências sanitárias foi suficiente para a retomada do mercado.

Depois de um ciclo de euforia registrado em outubro, quando a cotação bateu nos R$ 60 a arroba, o mercado passou a enfrentar quedas sistemáticas a partir de novembro, quando o preço chegou a R$ 51. "Agora, a cotação chegou no limite de alta, uma vez que tradicionalmente a partir da segunda quinzena de dezembro o mercado bovino é parado", avalia Gustavo Fanaya, economista do Sindicato das Indústrias da Carne do Paraná (Sindicarnes). Segundo a analista de mercado pecuário do Instituto FNP, Juliana Moretti Ângelo, os preços em outubro reagiram positivamente devido às chuvas, que atrasaram a saída de animais de confinamentos.

"Como as chuvas foram concentradas na segunda quinzena de outubro, os animais chegaram ao mercado em novembro, o que contribui para a queda na cotação da arroba devido ao excesso de oferta", observa Juliana. Outro problema apontando por ela para a redução de preços é a Bolsa de Valores. "A maioria dos pecuaristas acompanha o mercado futuro, mas não participa. O que ocorre é que esse mercado é dominado por compradores, que têm interesse em baixar o preço", afirma. A boa notícia, de acordo com a analista, é que no início do próximo ano a cotação não deve recuar aos patamares registrados no mesmo período de 2006, abaixo dos R$ 45.

"Houve muitos abates de fêmeas e o preço dos garrotes têm se mantido estável o que pode segurar os preços no primeiro semestre de 2007", explica. Nem mesmo a notícia de que a Rússia liberou as importações de carnes bovinas, suínas e produtos lácteos industrializados e termo-processados foi suficiente para mexer com o mercado. "Essa flexibilização irá trazer reflexos somente no longo prazo porque, atualmente, o Brasil só exporta carnes in natura para a Rússia. Mas a perspectiva é boa porque os brasileiros irão conseguir entrar no mercado de varejo, o que até então não era permitido", salienta Gustavo Fanaya.

Prejuízos - Para o pecuarista André Carioba, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), preço da arroba abaixo dos R$ 60 prejudica a atividade. "Preço abaixo de R$ 60 mata a atividade aos poucos porque o custo para engorda está superior ao valor de venda. O que ocorre é que, desta forma, muitos pecuaristas vendem animais para cobrir despesas e não conseguem fazer a reposição com a mesma qualidade", observa. Segundo ele, em dezembro tradicionalmente aumenta o consumo de carne bovina porque há mais dinheiro circulando na economia.

"O que está ocorrendo é uma jogada dos frigoríficos, que fizeram estoques em outubro e novembro, principalmente, nos períodos de baixos preços. Talvez em janeiro os preços tenham uma reação, mas pequena", diz.

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