Preço da soja sobe "um degrau" na bolsa

Agronegócio

Preço da soja sobe "um degrau" na bolsa

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) revisou para baixo sua projeção para a safra brasileira de soja
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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) revisou para baixo sua projeção para a safra brasileira de soja. A colheita foi reduzida em 6,3% em relação ao relatório de fevereiro, para 59 milhões de toneladas. "O Usda foi extremamente conservador. Diante dos efeitos da seca no Sul e parte do Centro-Oeste, dificilmente a produção será superior a 54,5 milhões de toneladas", diz Renato Sayeg, da Tetras Corretora. "A única certeza é que, no próximo relatório, a safra brasileira será novamente reduzida", afirma.

Sayeg também acredita que o último relatório do Usda apenas corrobora a mudança de panorama de preços para o resto do ano. "No início de 2004, falava-se que os preços na Bolsa de Chicago ficariam abaixo da média histórica, ou até mesmo inferiores a 500 centavos de dólar o bushel (US$ 11,02 a saca). Hoje, ninguém mais acredita que as cotações desabem a esses níveis", diz o corretor.

"Os preços, sem dúvida, subiram um degrau após a seca no Sul", diz um trader de São Paulo. Ele acredita que as cotações devem ficar entre 510 e 650 centavos de dólar o bushel (US$ 11,24 a US$ 14,33 a saca). O Usda prevê que o preço médio da soja nesta safra deve ficar entre 505 e 545 centavos de dólar o bushel (US$ 11,13 a US$ 12,02 a saca), o que representa uma elevação em relação ao relatório de fevereiro, quando a agência projetava cotações médias de 480 a 540 centavos de dólar o bushel na bolsa.

Desde 4 de fevereiro, quando as cotações atingiram o menor nível em quase dois anos e meio, os preços da soja já subiram 27,3% em Chicago com temores em relação à seca que ameaça a safra de grãos no Brasil, Argentina e Paraguai. Ontem, os contratos com entrega em maio subiram 1,5% e fecharam cotados a 639,25 centavos de dólar o bushel, ou US$ 14,09 a saca.

As exportações brasileiras foram reduzidas em 5,4%, para 21,2 milhões de toneladas.

Os estoques finais mundiais foram reduzidos em 8,7% em relação a fevereiro, para 55,98 milhões de toneladas. Apesar da queda, o volume ainda é 49,5% maior que o apurado na safra anterior.

Apesar da seca, a safra argentina foi mantida em 39 milhões de toneladas, prevê o Usda.

Trigo

Com as dificuldades de plantio da safrinha de milho no Brasil - em razão do vencimento do prazo agronômico para o cultivo - a expectativa é de que aumente a produção de trigo no inverno.

A produção brasileira deve totalizar 6 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 3,4% em relação à estimativa anterior.

Milho

O Usda reduziu sua projeção para a safra brasileira de milho. A colheita deve atingir 39,5 milhões de toneladas, volume 4,8% menor que o previsto em fevereiro. A seca é o principal motivo para essa retração.

Para suprir a demanda interna, o Usda prevê que o Brasil precisará importar 500 mil toneladas de milho, volume 67% maior que o previsto no mês passado.

O consumo de milho para ração será de 35 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 3,3% em relação à projeção anterior, porém ainda é um aumento de 6% na comparação com a safra 2003/04.

Algodão

A agência americana aumentou sua projeção para a colheita de algodão do Brasil. O País deverá produzir 6,3 milhões de fardos, um aumento de 7,7% na comparação com a projeção anterior.

A safra da China foi mantida em 29 milhões de fardos, a do Paquistão em 11,5 milhões, a da Austrália em 2,6 milhões e a da Índia aumentou 2,5%, para 16,4 milhões de fardos em 2004/05.


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