Preço da soja teve forte queda em Chicago
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Agronegócio

Preço da soja teve forte queda em Chicago

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A soja registrou ontem forte queda na bolsa de Chicago, alcançando o menor preço dos últimos três meses. Os temores quanto às vendas para a China e a previsão de uma boa safra norte-americana influenciaram o mercado. Os principais fornecedores internacionais do grão decidiram suspender temporariamente os embarques aos esmagadores chineses.

Os contratos para entrega do grão em agosto fecharam em US$ 8,16 o bushel, uma queda de 3,94% sobre o dia anterior. Os fundos, que haviam comprado sete mil contratos na quarta-feira, acabaram vendendo ontem mais de oito mil contratos.

"A incerteza quanto à continuidade das compras chinesas está gerando nervosismo no mercado", avalia Ricardo Tartarotti, da corretora La Salle. Os esmagadores da China enfrentam dificuldades financeiras devido ao excesso de oferta do produto e às medidas de redução do crédito adotadas pelo governo do país. Ontem, os representantes dos principais fornecedores decidiram também que não aceitarão renegociações nos valores dos contratos já fechados para compra de soja da América do Sul.

Fontes na indústria de processamento de soja na China disseram que a ação dos fornecedores deverá ajudar a melhorar a margem de lucro dos esmagadores, que estão em dificuldade com altos custos de importação da soja, a fraca demanda interna por farelo e o aperto do crédito. Traders que estiveram no encontro disseram que muitos esmagadores pediram nos últimos dias para adiar ou cancelar carregamentos de soja fechados em valores mais altos que os atuais, e que alguns não conseguiram obter as cartas de crédito estipuladas nos contratos.

Calote

Com aproximadamente 4,5 milhões de toneladas de soja previstas para chegar à China em maio e junho, os fornecedores estão preocupados sobre possíveis calotes, já que muitos contratos foram fechados antes das quedas nos futuros na Bolsa de Chicago e do recuo dos valores dos fretes marítimos. A China é hoje o maior importador mundial de soja, com compra de 20,2 milhões de toneladas registradas em 2003.

Outro fator que influenciou a queda no preço da soja ontem foi a previsão de bom clima para a safra norte-americana e a divulgação dos números relativos às exportações daquele país, que está abaixo das expectativas. "O clima está extremamente favorável para o desenvolvimento da lavoura, o que significa que os Estados Unidos podem ter safra recorde", avalia Renato Sayeg, da Tetras Corretora.

O mercado interno, no entanto, não acompanhou Chicago. Com a valorização do dólar no Brasil e a queda na Bolsa de Chicago, o mercado ontem esteve praticamente paralisado no País. "Só estão sendo fechados negócios para atender necessidades imediatas", disse Odinéia Santos, analista da Safras e Mercados. Para Sayeg, a alta volatilidade do mercado, considerada a maior dos últimos 20 anos, está fazendo com que os produtores brasileiros segurem o grão, travando o mercado.

Para os brasileiros, a China também é motivo de preocupação devido aos problemas sanitários verificados na inspeção da carga nacional enviada àquele país. Por isso, uma missão técnica do governo brasileiro está indo à China para avaliar com as autoridades locais os critérios usados na fiscalização da soja importada do Brasil.

Sanidade

De acordo com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, o governo brasileiro vai negociar uma alternativa para impedir que novos embarques sejam barrados pelos chineses. "A missão precursora deve avançar na negociação com os chineses. E quando eu chegar lá, teremos maior clareza na questão para que possamos buscar uma solução", disse. O ministro integrará a delegação que viaja hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China.

Segundo Rodrigues, o governo brasileiro espera que os chineses aceitem o padrão internacional de qualidade da soja, que admite até 0,2% de impurezas nos carregamentos. "Se conseguirmos essa mudança, criaremos as condições de fluidez no comércio entre os dois países". Hoje, a China tem tolerância zero para problemas sanitários na soja importada. Para o ministro, é preciso resolver logo o problema com a China, que embargou carregamento de soja brasileira misturada com sementes tratadas com agroquímicos.


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