Preço de defensivo cai e mercado de agroquímicos encolherá

Agronegócio

Preço de defensivo cai e mercado de agroquímicos encolherá

Em 2008, o faturamento das indústrias de defensivos no Brasil ficou em cerca de US$ 7 bi e superou o mercado dos EUA
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Sob efeito de um crédito mais curto, de um real valorizado frente ao dólar, de preços de defensivos mais baixos e de provavéis reduções no uso de insumos para algumas culturas, o mercado de agroquímicos no país deve encolher na próxima temporada (2009/10), de acordo com a Kleffmann, multinacional que atua em pesquisa desse setor.

Em 2008, o faturamento das indústrias de defensivos no Brasil ficou em cerca de US$ 7 bilhões e superou o mercado dos Estados Unidos.

Mas, em função daquelas questões conjunturais, o País deve perder a liderança mundial do setor em 2009, pelo menos momentaneamente, segundo o presidente da Kleffmann no Brasil, Lars Schobinger.

"Para o próximo ano agrícola, com colheita em 2010, esse mercado deve cair. A indústria começou o ano projetando queda de 20 por cento, e hoje fala em 10 por cento", disse ele.

Boa parte do faturamento das empresas do setor no Brasil é determinado no segundo semestre do ano, quando é plantada a safra de verão de grãos, e quando os produtores determinam os seus investimentos.

Se o faturamento das indústrias deve cair com os negócios já deste segundo semestre, de outro lado os produtores podem acabar sendo beneficiados, com preços mais baixos dos insumos em relação a 2008.

O glifosato, bastante usado para combater plantas daninhas que se desenvolvem no meio da plantação de soja transgênica, resistente ao herbicida, está mais barato, destacou Schobinger.

"O glifosato está mais barato, não só aqui, nos EUA também", disse ele, lembrando que aquele herbicida é um dos "drivers" do mercado.

A área de soja no Brasil em 2009/10, por sinal, deve crescer, segundo especialistas, porque a cultura exige menos investimentos do que o milho e o algodão. A pluma deve ceder área para soja. Outro fator de pressão para as empresas de agroquímicos do Brasil é a crise de crédito.

"Em ano de crédito abundante, os produtos começam a ser vendidos em março... Em um ano em que há menos crédito disponível, a comercialização atrasa, acaba tendo negociação em agosto, setembro e outubro... e isso aumenta a pressão sobre a indústria, o que joga o preço para baixo", afirmou ele, dando como certa apenas a redução de área de algodão.

Num País em que boa parte da agricultura é feita em áreas de clima tropical, a disseminação de pragas e doenças nas lavouras é muito maior do que em outros, como os EUA, que estão na liderança mundial da produção de milho e soja, por exemplo.

Isso explica o fato de o Brasil ser, embora colhendo bem menos do que os EUA, um mercado potencial maior do que o americano. Atuam no País várias multinacionais como Monsanto, Bayer e Syngenta.

"O Brasil é o mercado que mais responde em termos de produtividade à utilização de defensivos", disse.

Além disso, o País, em tese, tem mais áreas disponíveis para ampliar o plantio do que os EUA, que conta com uma agricultura mais consolidada. "Para o futuro, o Brasil tem uma tendência natural de reassumir a liderança e se manter na frente desse mercado."

O mercado de defensivos dos EUA é estimado em cerca de US$ 6,5 bilhões. O faturamento anual é a melhor forma, segundo especialistas, de medir a utilização dos agroquímicos.

Em 2008/09, quando o Brasil passou a liderar o setor, várias culturas registraram mais uso. Na comparação com 07/08, o faturamento do setor com café cresceu 18%, o da soja aumentou quase 30%, o do milho verão, 5%, enquanto o arroz irrigado subiu 30%.

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