Preço de referência para café pode cair


Agronegócio

Preço de referência para café pode cair

Por:
12 acessos

Expectativa é de que o valor de exercício fique em R$ 200 por saca de 60 quilos do arábica. O governo poderá revisar os valores de referência para o lançamento de contratos de opção de café, avaliados em R$ 205 a saca de 60 quilos para o tipo arábica. Hoje, haverá uma reunião entre técnicos do Ministério da Agricultura e da Fazenda para tentar solucionar o impasse criado ante a negativa da equipe econômica em aprovar o programa, previsto para ter sido anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), na última sexta-feira. A expectativa é de que o preço de exercício fique em R$ 200 a saca (arábica). Com a redução do valor, o governo poderá lançar um maior número de contratos.

A proposta dos técnicos do Ministério da Agricultura é de contratos de opção de 3 milhões de sacas de café, ou seja, o equivalente a 10% da safra. Metade do volume terá exercício em setembro e outros 50%, em novembro. Para isso, seriam necessários R$ 600 milhões a serem captados fora do orçamento do ministério.

Segundo o secretário de Produção e Comercialização, Lineu Costa Lima, existe vontade política do presidente em apoiar o setor e, por isso, uma decisão deve ser tomada esta semana. O secretário garantiu ainda que, em caso de redução do preço, o volume de opções pode aumentar.

Lima disse que pedirá aos técnicos do Ministério da Fazenda uma posição sobre a expectativa de câmbio com a qual o governo trabalhará a partir de agora, uma vez que, quando começou-se a discutir as opções, o dólar estava cotado em R$ 3,30. Segundo ele, se o câmbio estabilizar em R$ 3, não haverá motivo para mudança nos preços de exercício. "Se cada vez que mudar o câmbio não puder soltar o contrato de opção, não vai sair nunca", afirmou.

Ele disse ainda que, já houve redução nos valores de referência. Segundo Lima, inicialmente previa-se um preço de exercício para o arábica, em setembro, de R$ 243 a saca (não divulgado pelo governo), que caiu para R$ 220 e agora está em R$ 205, podendo ser reduzido. Os técnicos do Ministério da Agricultura chegaram ao valor de R$ 205 a saca (arábica), considerando um custo de produção de R$ 196 a saca mais uma rentabilidade de 5%. De acordo com Lima, abaixo de R$ 205, fica difícil arcar com os custos.

"Se não sair logo, o produtor não vai pagar suas contas. O cafeicultor precisa ter renda", avalia Reinaldo Caetano, presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari (MG). Segundo Caetano, em duas semanas começa a colheita na região do Cerrado e o produtor precisa saber se irá ou não participar dos leilões de opção.

Crédito alongado

Na avaliação de Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, R$ 200 a saca (arábica) é considerado um bom preço e dará sustentação ao mercado. No entanto, ele acredita que, como houve demora no lançamento das opções, o produtor precisará de outras medidas, como o crédito alongado para a comercialização a partir do mês de setembro, quando o mercado especularia com a próxima safra, que deve ser grande.

"Há certo ceticismo do mercado em relação ao governo", diz.

kicker: Governo federal quer liberar o equivalente a 3 milhões de sacas, ou seja, 10% da safra


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink