Preço do arroz começa a reagir

Agronegócio

Preço do arroz começa a reagir

A saca de 50 quilos, que em maio chegou a ser comercializada abaixo dos R$ 25 hoje está cotada em R$ 26
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Com preços em elevação, o sufoco do mercado do arroz tomou novo fôlego depois das medidas de incentivo anunciadas pelo governo federal. A saca de 50 quilos, que em maio chegou a ser comercializada abaixo dos R$ 25 – cerca de 25,9% menos que no mesmo período de 2008 – hoje está cotada em R$ 26.

Com os mecanismos de opção oferecidos pelo governo, em outubro próximo há garantia de venda da saca a R$ 30, 35.

Muitos produtores sentiram-se acuados com os preços pagos em maio. Foi o caso de Edgar Schmitd, 59 anos, produtor de Uruguaiana. Se o mercado não tivesse sinalizado elevação, a área plantada para a próxima safra seria menor.

– E também não iria investir em tecnologia. Com as medidas do governo, o mercado começa a se recuperar e temos uma perspectiva mais otimista em relação aos preços. Também temos insumos mais em conta do que no ano passado. Tudo isso ajuda. Nossa única preocupação agora é a questão da água. A maioria das barragens está quase seca– conta o arrozeiro.

Para o consultor de mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz, Marco Tavares, o momento é de euforia pela recuperação dos preços, mas também de cautela. O dirigente considera o mecanismo de contratos de opção oferecido pelo governo o principal artifício para o aquecimento do mercado interno, aliado ao alongamento do vencimento do custeio e dos Empréstimos do Governo Federal (EGF).

– A tendência de mercado é que o preço se iguale aos vencimentos das opções– acredita Tavares.

No entanto, o consultor alerta que a elevação dos preços não pode fazer com que os produtores fiquem eufóricos. Tavares destaca que o fato de o preço ter melhorado não deve influenciar o produtor a aumentar a área plantada na próxima safra.

– Os produtores devem investir em aumento de produtividade, racionalizar os custos da lavoura, aperfeiçoar a gestão na comercialização da safra e investir em armazenagem para reduzir riscos e buscar rentabilidade em sua atividade – explica.

O presidente do Sindicato Rural de Itaqui e Maçambará, Pedro D’Alcântara Neto, observa que, apesar do aquecimento do mercado, a grande preocupação é com o produtor de pequeno porte, que está sujeito a um novo endividamento agrícola. Ele acrescenta ainda que as medidas do governo vieram apenas para apagar um incêndio e credita o baixo valor do grão ao que considera um monopólio da indústria beneficiadora de arroz no Estado.

– As indústrias do resto do país vieram comprar muito menos aqui no Estado este ano devido a uma série de fatores como o aumento do ICMS. Então, as indústrias daqui ofereceram preços mais baixos. Foi um processo predatório ao produtor – avalia.

Mesmo com as conquistas recentes, a classe reivindica mais incentivos. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Renato Rocha, afirma que as medidas atuais são importantes conquistas e ajudaram a fazer os preços reagir. Mas ainda é preciso mais atenção ao produtor.

– A mesma flexibilidade que o Banco do Brasil ofereceu, vamos tentar com os outros bancos – afirma Rocha.

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