Agronegócio

Preço do boi gordo volta a cair em Goiás

Com a intensificação das chuvas, a oferta de bois confinados aumentou e os preços voltaram a cair
Por: -Edimilson de Souza Lima
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As cotações do boi gordo voltaram a cair acentuadamente nos últimos dez dias, em Goiás, interrompendo um ciclo de aproximadamente 60 dias de recuperação de preços, quando a arroba saiu de R$ 48,00 para até R$ 61,00, em média. Fontes do setor apresentam com principal causa dessa marcha à ré dos preços do boi gordo, a intensificação das chuvas nas últimas semanas, o que forçou a desova dos estoques de bois confinados, que chegariam paulatinamente ao mercado até final de dezembro.

O boi castrado, rastreado e com peso médio ao redor de 18 arrobas, era pago ontem nos principais frigoríficos goianos a no máximo R$ 56 reais a arroba, para descontar o Funrural (contribuição social), o que equivale a pouco mais de R$ 54,00 líquidos. O presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado de Goiás (Sindicarne), José Magno Pato, diz que pode ocorrer pequena reação das cotações nos próximos dias devido a dificuldades no embarque de bois nas fazendas. Mas, recuperação de preços mesmo, só quando o boi de pasto chegar ao mercado.

Confinamento

O presidente do Fórum Nacional da Pecuária de Corte, da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), Antenor Nogueira, argumenta que as chuvas inviabilizam a manutenção de animais em confinamento, não só pelo acúmulo de lama nos estabelecimentos, mas também pelos dificuldades de arraçoar os animais com alimentos secos. “Para não acentuar seus prejuízos, o produtor acaba decidindo por desovar rapidamente esses animais, elevando a oferta e, por conseqüência, derrubando os preços”, diz Antenor Nogueira.

O presidente do fórum alerta os pecuaristas, entretanto, que a melhor estratégia agora é segurar a oferta, pois em poucos dias acabam os estoques de confinamentos e os preços voltarão a subir, até porque os animais de pasto ainda não terão chegado ao mercado. Ele argumenta também que os bois que estão sendo abatidos, na verdade não foram adquiridos aos preços propostos hoje pelos frigoríficos. “São animais negociados a termo, que o produtor fez hedge de preço com valores muito superiores às atuais cotações”, diz Antenor Nogueira.

O pecuarista Renato Borges, da Fazenda Recanto do Pintado, em São Miguel do Araguaia, confirma que o maior preço que encontrou ontem nos frigoríficos goianos foi de R$ 54,00 por arroba. “E olha que era um lote de animais acima da média. Eram bois castrados, rastreados, bem terminados e com pesos média de 18,5 arrobas”, diz o pecuarista, que não esconde seu desapontamento com a queda abrupta da cotações. A exemplo de Antenor Nogueira, entretanto, ele acredita que os frigoríficos estão aproveitando a longa escala que fizeram agora para forçar um queda de preços até a chegada do boi de pasto.

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