Preço do cacau sobe 2,5% em Nova York
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Agronegócio

Preço do cacau sobe 2,5% em Nova York

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Os contratos futuros do cacau acumularam fortes ganhos no pregão de ontem dos mercados internacionais. Em Nova York, os embarques para entrega em maio foram negociados a US$ 1.443 por tonelada, em alta de 2,5% no dia. Na bolsa de Londres, os embarques para entrega em igual período subiram 1,8%, para 837 libras esterlinas (US$ 1.513) por tonelada.

Os ganhos refletem o aumento de interesse por parte das industrias de chocolate, que compraram em grande volume durante a segunda-feira. "Nas últimas semanas o mercado tem trabalhado com a ampla faixa entre US$ 1.400 e US$ 1.600 por tonelada. Sempre que o preço cai próximos aos US$ 1.400 a indústria inicia movimento de compras", afirma Thomas Hartmann, produtor e analista do mercado internacional. A alta de segunda-feira se deu após uma severa queda nas cotações futuras da amêndoa, que acumularam retração de 15,7% nos últimos dois meses na bolsa de Nova York. No pregão da última sexta-feira, os contratos para entrega em maio foram negociado a US$ 1.407 por tonelada, em comparação com os US$ 1.670 por tonelada registrados em 12 de janeiro de 2004.

As notícias confirmando que a safra da África no período 2003/04 será maior que o projetado pelo mercado deram sustentação à queda das cotações nas últimas três semanas. Somadas, as produções da Costa do Marfim e de Gana devem se situar em 1,85 milhão de toneladas no período, um volume 8,8% maior do que as 1,7 milhão de toneladas projetadas pelo mercado. No período anterior a safra dos dois países somou 1,73 milhão de toneladas. "Trata-se do maior núcleo de produção do mundo, que responde por mais da metade da produção mundial de cacau", afirma Thomas Hartmann.

A Costa do Marfim deve produzir 1,4 milhão de toneladas de cacau no período 2003/04, enquanto Gana registrará uma produção de 450 mil toneladas. Hartmann informa que o mercado resolveu somar as safras dos dois países devido o alto índice de contrabando de cacau da Costa do Marfim para Gana. "Ainda que nenhum dos dois governos reconheça, o contrabando já se situa entre 70 mil e 100 mil toneladas", afirma.

A prática se deve ao fato de os exportadores recebem um preço de garantia em Gana, maior que a taxação das exportações vigente na Costa do Marfim. No período 2003/04 a produção mundial de cacau deve se situar em 3,1 milhões de toneladas, um aumento de 2,3% sobre a safra anterior, de 3,030 milhões de toneladas.

Safra brasileira

No Brasil, a produção também deve crescer. As estimativas iniciais do mercado apontam para uma produção entre 165 mil e 170 mil toneladas para a safra principal, que vai de maio de 2003 à abril de 2004. A safra passada teve um aumento de 29% em relação ao período anterior. "A produção brasileira cresce de maneira lenta, mas tende a se recuperar nos próximos anos", diz Hartmann. Nos últimos anos, as adversidades climáticas criaram oscilações na produção, a exemplo do que ocorreu com a safra temporã na Bahia.

Perdas com seca

"Neste caso, a falta de chuvas afetou o desenvolvimento e deve atrasar a colheita", diz o analista. A safra temporã vai de maio à setembro, e em geral começa a ser escoada no mês de maio, mas este ano deve começar a ser colhida em meados de junho. "As projeções do mercado são muito desencontradas e oscilam entre 54 mil e 72 mil toneladas para a safra atual", diz um produtor da Bahia.

No ano passado, a safra temporã da Bahia se situou em 84 mil toneladas". O aumento está sendo sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento do consumo de chocolate no Brasil, da ordem de 6% no último ano. "Para 2004 este índice deve permanecer", comenta Hartmann. Houve um período, entre 1994 e 2000, que o consumo brasileiro de chocolate crescia a taxas de 30% ao ano. De 2000 até 2002 houve queda da ordem de 12%, mas assim como a produção de cacau, o consumo de chocolate tende a crescer de maneira lenta e gradativa".


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