Preço do leite dispara com entressafra e seca

Agronegócio

Preço do leite dispara com entressafra e seca

As últimas pesquisas de inflação mostram que o preço do leite disparou nos primeiros quatros meses do ano
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As últimas pesquisas de inflação mostram que o preço do leite disparou nos primeiros quatros meses do ano. A estiagem do começo do ano e a chegada da entressafra, em abril, fizeram com que o produto subisse na prateleira 6,58% no mês passado, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pelo Ipardes. Outra pesquisa, a da cesta básica do Dieese, apontou variação de 3% em abril e 5% março nos valores do produto na região metropolitana de Curitiba.

A correção no valor cobrado pelo produto envolve toda a cadeia – produtores, atacado e varejo – e deve continuar em maio. A queda na oferta é o principal fator que influencia o preço do produto. Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, o volume de leite entregue pelos produtores da Região Sul caiu 10% em março, na comparação com fevereiro. A tendência em abril e maio também é de redução.

Com a oferta menor, o setor de laticínios viu avançar as cotações da matéria-prima. “O preço vem subindo desde janeiro porque a seca fez cair a produtividade no Sul”, diz o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados do Paraná (Sindileite), Wilson Thiesen. Em abril e maio, quando começa a esfriar, as pastagens de verão perdem qualidade e são substituídas. Nesses meses, o volume entregue pelos produtores tende a cair todos os anos.

O IPC do Ipardes confirma um aumento sazonal no custo do leite em abril. A correção foi de 5,19% no mesmo mês do ano passado. Mas neste ano há uma diferença importante. “O reajuste no leite acumulado em 12 meses é de 14,2% e está acima da cesta de alimentos e bebidas, que subiu em média 6,87%”, explica o economista Gino Schlesinger, do Ipardes.

A alta acima da inflação foi causada pela exportação de derivados de leite para escoar o excedente da produção. Sem sobras no mercado interno, o preço pago ao produtor melhorou. “O mercado está bom para quem tem gado de leite”, diz o médico veterinário Ângelo Ronaldo Silva, do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura.

A pesquisa do Cepea referente a março mostra que o preço médio pago ao produtor no Brasil está 17% superior ao praticado no mesmo mês de 2004 e chegou a R$ 0,54 por litro do leite tipo C. No Paraná, a cotação média é de 0,52 e chega a R$ 0,58 em algumas regiões. “São valores que permitem uma remuneração razoável. Muito melhor do que há cinco anos, quando o setor passou por uma crise”, destaca Silva, do Deral.

As cotações mais altas no campo não puderam ser seguradas pelo varejo. “A alta no atacado chegou a quase 10% no último mês”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria Panificação (Sindipan), Joaquim Gonçalves. As padarias compravam leite longa vida, por exemplo, por cerca de R$ 1,25 em janeiro. Hoje, os preços estão na faixa de R$ 1,50 – uma variação de 20%. Parte desse aumento foi repassado ao consumidor e detectado pelos índices de inflação. Na maior parte das panificadoras, o longa vida passou de R$ 1,50, em janeiro, para R$ 1,70, em abril.


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