Agronegócio

Preços baixos e estiagem afetam SC

O valor bruto de produção agrícola em Santa Catarina registrou queda de 13% em 2005
Por: -Graziele Dal-Bó
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O valor bruto de produção agrícola em Santa Catarina registrou queda de 13% em 2005 frente ao ano anterior, aponta um estudo realizado pelo Centro de Estudos de Safras e Mercados (Epagri/Cepa), da Secretaria da Agricultura de Santa Catarina. Além da redução no preço das commodities, os agricultores catarinenses têm enfrentado problemas de preços, custos e clima desfavorável.

A crise, destaca o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), Neivor Canton, atinge pequenos, médios e grandes produtores. Os prejuízos, que abrangem a produção e a comercialização, fazem de SC o Estado com a piores perdas proporcionais no Brasil, segundo Canton.

O dólar baixo reduz preços e enfraquece as exportações, explica o vice-presidente Federação de Agricultura e Pecuária de SC, Enori Barbieri. Com os custos de plantio, manutenção e colheita em ascensão, é inevitável a perda de competitividade, ressalta o dirigente.

Canton diz 2005 foi um ano perdido. O golpe de misericórdia foi a terceira estiagem consecutiva, que começou em novembro do ano passado e se estendeu até meados desse anos. As culturas mais afetadas foram a da soja e o do milho.

O chefe do Cepa, Airton Spies, sustenta que a produção de grãos foi, em média, 25% sacrificada pela falta de chuvas. O levantamento do instituto atribui à safra abaixo das expectativas o déficit de milho no Estado, que subiu para 1,9 milhão de toneladas.

Com a soja, a situação se repetiu. Com a terra seca, a produção encolheu 5% e a média de preços foi 34% menor que a de 2004. A cebola, por exemplo, teve o pior resultado dos últimos seis anos.

Em Santa Catarina, quem sofre é o pequeno produtor, que é maioria esmagadora no setor. Houve perda de poder aquisitivo e de esperança de permanecer no campo. Isso aparece nas estatísticas da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de SC (Fetaesc). O presidente da entidade, Hilário Gottselig, revela que 46 mil pessoas já deixaram sua terra na última década.

"Nos próximos 10 anos, vamos assistir à favelização das pequenas e médias cidades do interior. O jovem agricultor está desacreditado. Não será surpresa alguma também se, de uma hora para outra, percebermos que as terras da agricultura catarinense viraram uma imensa área de reflorestamento de pinus e eucaliptos, os desertos verdes", declara.

Décio Sonaglio, presidente da Cooperativa do Rio do Peixe (Coperio), que possui mais de cinco mil agricultores integrados, diz que 2006 também será um ano perdido. A renda acabou; a capacidade de endividamento também. O que sobrou foi o ônus das atuais dívidas, a ser compensado nas próximas safras, se estas forem favoráveis.

"O embargo russo à carne suína também é um fator que contribui e muito para a crise. O pequeno produtor de milho ganhava com a suinocultura, pois plantava para alimentar os animais. Isso mexeu com toda uma cadeia produtiva".

"Vivemos uma crise de preços ruins e frustração de safra. E não há sinais de que haverá melhoras em um curto espaço de tempo", avalia Canton.

O presidente da Fetaesc, no entanto, vê tendência de melhora em 2007. Gottselig aposta em menor área plantada, especialmente de soja e milho, mas em mais ganhos. A alternativa para as perdas no setor agrícola, afirmam Canton, Spies e Sonaglio, é incentivar as propriedades familiares social e economicamente, e não apenas com empréstimos e financiamentos.

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